Goiânia ganha Centro Cultural Oscar Niemeyer

O Centro Cultural Oscar Niemeyer foi inaugurado na quinta-feira, na região sul da capital goiana. O presidente da Agência Goiana de Cultura (Agepel), Nasr Chaul, coordenou o projeto de criação e construção dos 17 mil metros quadrados que abrigam uma biblioteca, o Monumento aos Direitos Humanos, o Museu de Arte Contemporânea e o Palácio da Música e que promete ser um divisor de águas do circuito cultural goiano. O espaço consumiu R$ 60 milhões do Tesouro do Estado e foi construído sobre uma esplanada de 26 mil metros quadrados, que até o início das obras era uma espécie de lixão de entulhos de construção civil. A inauguração coincidiu com o último dia do mandato de Perillo (PSDB), que começa em breve a campanha para uma vaga ao senado. Foi uma despedida à altura dos altos índices de aprovação de Perillo no Estado. Ele driblou até os protestos da polícia civil, que está em greve e exibia várias faixas de protestos logo na chegada do governador, que foi pessoalmente pedir a colaboração dos grevistas e marcou uma data para recebê-los. Não por acaso, as instalações ainda exibiam os vestígios da pressa. Durante o show de Bibi Ferreira na noite de quinta, para comemorar a inauguração do Palácio da Música, era forte o cheiro de cola dos carpetes que tinham sido instalados na mesma tarde, os banheiros ainda não tinha lixeiras e várias portas. Na biblioteca, somente um andar está pronto e o MAC, que ainda vai receber o acervo completo que hoje ocupa outro local na cidade, exibia obras ainda não identificadas. Por outro lado, a construção do centro cultural ocorreu em tempo recorde, apenas um ano desde o início das obras. A forma de gestão, programação e curadoria do Centro Cultural também ainda será decidida em breve. ?Não sabemos ainda se haverá um conselho gestor ou um diretor geral. De qualquer forma, cada órgão é independente. E espaços como os cinemas, o restaurante, e as lojas serão terceirizados. Minha dúvida ainda é se terceirizamos a gestão econômica. A biblioteca e os museus serão geridos pela Agepel, mas o Palácio da Música pode ser terceirizado?, comentou Chaul. Homenagens Apesar de levar o nome do arquiteto carioca, o Centro Cultural homenageia grandes artistas goianos em todas suas instalações. ?Alguns membros eram contra o nome do Oscar, mas era importante prestar esta homenagem a este grande arquiteto, que foi decisivo para o estado de Goiás?, justificiou Chaul. Outro homenageado não goiano é o ex-presidente Juscelino Kubitschek. O mineiro dá nome à Esplanada Cultural, uma grande placa de concreto que abriga todos os edifícios. Niemeyer, que não estava presente à ocasião, declarou que o que mais o agrada no projeto é exatamente a Esplanada Cultural Juscelino Kubitschek, ?por seu aspecto inovador?. João Niemeyer, sobrinho do arquiteto, representou o tio e também coordenou e supervisionou o projeto de criação e construção do espaço. Mas o principal prédio do Centro Cultural é o da Biblioteca, que presta homenagem a Bernardo Élis, o único escritor goiano a pertencer à Academia Brasileira de Letras; e a J.J. Veiga, que se dividia entre Corumbá, sua terra natal, e Pirenópolis, que escolheu para viver. Por último, o terceiro homenageado pela biblioteca é o historiador e pesquisador Paulo Bertran. Com cerca de dez mil metros quadrados, a o prédio da biblioteca possui três pavimentos sobre pilotis, com um auditório com 135 lugares e terraço, que abriga um restaurante com vista panorâmica. Em seguida, surge o Museu de Arte Contemporânea (MAC), que possui quatro mil metros quadrados que compreendem uma galeria de arte, sala administrativa, térreo, mezanino e pavimento para exposições. O Palácio da Música ?Belkiss Spenziere? é o terceiro edifício do conjunto e ostenta traços que se tornaram grandes símbolos da obra de Niemeyer. O concreto armado tão característico do mestre da arquitetura modernista dá forma ao esférico palácio, que em sete mil metros quadrados abriga um teatro com mais de 1,5 mil lugares, com fosso de orquestra, camarotes para 284 lugares e bar. A goiana Belkiss, falecida em 2005, foi uma das mais notáveis pianistas e estudiosas da música brasileira. Em seguida, o Monumento aos Direitos Humanos , o quarto edifício, também faz jus às formas que tornaram os traços do arquiteto e ?escultor monumental? tão fáceis de serem reconhecidos. Com 700 metros quadrados de área, o monumento abriga um auditório de 700 lugares, jardim de inverno e salão de exposições. Nas palavras de Niemeyer, ?um grande triângulo vermelho que confere ao projeto a importância desejada.?

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