Godard, Acossado e um certo hotel em Paris

Versátil lança a versão definitiva do filme cult com Jean-Paul Belmondo e Jean Seberg; o melhor está nos extras

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2013 | 02h07

Bernadette Laffont foi atriz de filmes de Claude Chabrol e François Truffaut que fizeram história na nouvelle vague. O repórter do Estado encontrou-se com a atriz na semana passada, em Paris. Bernadette protagoniza o grande êxito atual do cinema francês - Paulette, de Jérôme Enrico (filho de Robert, o diretor de Os Aventureiros), no papel de uma idosa que não consegue sobreviver com a aposentadoria e entra para o tráfico. O repórter observou que os filmes de Chabrol resistem muito bem ao tempo e alguns até parecem mais importantes. Pelo contrário, e tirando as inovações da época, certos filmes de Jean-Luc Godard parecem bem decepcionantes.

Muita gente vai chiar - Godard, afinal, é um ícone que não se acomoda no seu pedestal. Em Cannes, estreou o novo filme, na verdade uma produção em episódios em que Peter Greenaway e ele, entre outros, testam as possibilidades do 3D. É preciso ser godardiano de carteirinha para dar crédito ao experimentalismo (àquele, pelo menos). Mas Acossado acaba de ser lançado em DVD (duplo), pela Versátil. O filme já havia sido lançado antes, mas agora é a edição definitiva, com montes de extras.

Até certo ponto é um filme diferente de Godard, porque o argumento lhe foi fornecido por Truffaut. Ambos eram críticos da revista Cahiers du Cinéma, na fase de capa amarela. Começaram juntos, seguiram trajetórias conflitantes. Godard acusava Truffaut de se haver aburguesado. Truffaut desdenhava de seu ardor revolucionário. E ambos disputavam a paternidade do ator Jean-Pierre Léaud.

Acossado fez história por suas técnicas e pela filmagem nas ruas de Paris, com todos aqueles travellings. Câmera na mão, som direto. Michel Poiccard dispara num policial, rouba um carro. Arrasta Patricia, uma americana em Paris, no que vira caçada humana. Viver perigosamente, até o fim. Godard bebeu na fonte do cinema de gênero americano, western, policial, musical. Belmondo e Jean Seberg são a alma do filme, mas ele não parece mais tão grande. O melhor é o documentário de Claude Ventura sobre o Hotel Suède, onde Godard filmou as cenas íntimas dos dois. Está nos extras e é um regalo.

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