GNT exibe documentário de Dainara Toffoli

A violeira Helena Meirelles podia ser chamada de uma personagem única. Pudera: era dona de uma história de vida e de um talento incomuns. Por isso, a sul-mato-grossense, que morreu no ano passado, aos 81 anos, era freqüentemente convidada para entrevistas, especiais, documentários. O documentarista Francisco de Paula fez sua homenagem à instrumentista em Helena Meirelles - A Dama da Viola. Em outro documentário, Dona Helena, que será exibido nesta segunda-feira, às 21 horas, pelo canal GNT (com reapresentações na terça-feira e no dia 7), a diretora Dainara Toffoli revisita a trajetória da artista, sob um ponto de vista puramente feminino (a produção do filme é assinada por outra mulher, Mônica Schmiedt).Registrado durante dois anos, de 2002 a 2004, o documentário traz os últimos depoimentos de Helena, que continuou na ativa se apresentando até o fim, mesmo já doente. Era o instinto de sobrevivência, sobretudo de sua música, que a acompanhava. Nascida em 1924, em pleno sertão do Mato Grosso do Sul, ela aprendeu a dedilhar a viola caipira sozinha, sem que os pais soubessem, já que naquele ambiente e naqueles tempos, uma mulher de bem tinha outras obrigações. Mas ela não conseguiu passar imune à influência de peões e violeiros, com os quais convivia. Helena costumava dizer que fora criada igual a bicho selvagem, mas teve coragem suficiente para subverter as velhas normas.Casou-se três vezes, a primeira, por imposição dos pais, e teve 11 filhos. Quando jovem, saiu em comitivas de boiadeiros para tocar. Foi descoberta tardiamente, como tanto outros músicos de talento no Brasil. Foi a única brasileira a entrar no rol dos melhores instrumentistas do mundo, ao lado de nomes como Eric Clapton e B.B. King, graças à respeitada revista americana Guitar Player. Para contar essas e outras histórias, a diretora Dainara manteve Helena no ambiente onde poderia se sentir mais confortável e segura: em sua casa, em Presidente Epitácio, cidade paulista que faz fronteira com o Mato Grosso do Sul.No documentário Dona Helena, a violeira fala de seus causos com a dureza de quem passou por tudo na vida - para sobreviver, chegou a ser parteira, lavadeira, prostituta. E mesmo com o título concebido pela Guitar Player, nunca conquistou o reconhecimento pleno. Essa dureza, Helena demonstrava, sem constrangimentos, sempre que era interpelada sobre sua trajetória. Mas também trazia um traço de doçura, característico de quem sempre fez o que quis e que não carregava qualquer amargura de uma vida sem sentido. A dela fez. Queria porque queria ser dona do nariz, numa terra em que mulher não tinha de querer. E foi dona de seu destino. É a lição deixada por ela no inédito Dona Helena, que integrou o 11.º É Tudo Verdade e deve ser lançado em DVD até o final do ano. Dona Helena. De Dainara Toffoli. GNT/ Canal 41 (Net e Sky). Hoje, 21 h (3.ª, 12h30). Até 7/8

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