Wilton Junior/ Estadão
Wilton Junior/ Estadão

Glórias e contradições de um festival

Na jornada de 7 dias, Bruce se destacou, mas conservadorismo artístico e bombardeio publicitário foram pontos baixos

Jotabê Medeiros, Julio Maria e Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2013 | 02h15

O gigantismo do Rock in Rio conseguiu firmar no mundo do show biz um dos maiores eventos de entretenimento do mundo. Em suas 13 edições no Brasil e na Europa, o festival reuniu até agora cerca de 7,1 milhões de espectadores - quase a população inteira da Bélgica. Deve chegar aos Estados Unidos em dois anos, em Las Vegas, numa associação com o Cirque du Soleil. E já confirmou a edição brasileira de 2015, quando completará 30 anos de existência.

Bruce Springsteen reinou soberano no Rock in Rio 2013. Misturando excelência musical com entrega e vibração, o Boss dominou a quinta edição do Rock in Rio no Brasil. Sua performance se junta a outros momentos históricos do festival, como o show do Queen em 1985; o do Guns N' Roses em 1991; o de Neil Young em 2001; e o de Stevie Wonder em 2011.

Houve outros grandes momentos nesta edição do Rock in Rio, muitos deles fora do palco principal, como os encontros entre Ben Harper e Charlie Musselwhite e Zé Ramalho e Sepultura. E a confirmação de reputações, como Metallica e Iron Maiden. Mas ficou a sensação de que o critério comercial norteou as escolhas, que resultaram em apostas equivocadas de astros que não têm estatura para encarar 80 mil pessoas.

Outro problema é a repetição de elenco - cerca de 30% das atrações já tinham passado pela mostra. Para piorar, boa parte dos headliners não estava mostrando um show novo, mas os de carreira já batidos, como Justin Timberlake e Metallica. A falta de ineditismo cria uma certa frustração. O espaço dado para vácuos de criatividade como o grupo Jota Quest, e uma organização que não se cansa de reiterar que o foco é em 'entretenimento', não em música, deixa claro que a ganância está sobreposta à visão artística e ao incentivo de uma cultura musical contemporânea.

A presença brasileira cresceu, o que é bom, mas os nossos artistas ficaram devendo este ano. Durante muito tempo reclamaram, dizendo que não tinham um som à altura. Quando finalmente se equipararam em condições com os internacionais, ninguém trouxe um show novo, um disco novo. Limitaram-se a fazer desfile de hits.

Uma excessiva ênfase no apelo publicitário, verdadeiro bombardeio que ocupa ininterruptamente os telões do festival e enche de banners e produtos toda a área, também é um obstáculo para que o objetivo artístico seja preponderante. "Isso é o Rock in Rio. Uma marca de comunicação que conversa com todos os públicos e idades sem interrupção. Este ano chegamos a números surpreendentes, entre eles o de 600 produtos licenciados, o que atrai ainda mais as marcas", afirmou Rodolfo Medina, vice-presidente do festival.

Dados de pesquisa do Ibope revelaram que 88% dos entrevistados garantem que pretendem voltar ao festival em 2015. Além disso, 77% das pessoas que estiveram presentes nas edições de 2011 e 2013 afirmaram que o evento melhorou. Houve problemas com saturação de bombas de água nos banheiros e de logística de atendimento de emergência, o que levou o Ministério Público a pedir a interdição do festival. Mas os problemas foram sanados no decorrer do evento. Do ponto de vista da logística urbana, o festival avançou muito em questões como transporte e segurança. Segundo a Secretaria de Transportes da prefeitura do Rio, das 595 mil pessoas que foram ao festival, 500 mil optaram pelo transporte coletivo.

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