Glória e Lino levam diversidade à passarela

Duas coleções de naturezas opostas: Glória Coelho e Lino Villaventura. E em todos os sentidos: inspirações, propostas de texturas, cortes e cores. O 3.º desfile do dia, o de Glória Coelho, primou pela alfaiataria, em que a cor pele (e todas as possíveis variações próximas desse tom, como o creme de limão, areia cubana, off white) ganhou formas trabalhadas na silhueta feminina com recortes geométricos, riquezas de fendas, um vasto design de moda. Na opinião da diretora de compras da La Samaritaine (um dos grandes magazines franceses), Nicole Bernardo, a idéia de se trabalhar o corte e modelos tradicionais com criatividade foi um dos pontos altos da coleção de Glória. "Mesmo que a criatividade impere, com a riqueza do design - essas muitas formas de construção -, a coleção dessa estilista guarda a idéia de que é muito importante, na moda, ter como princípio o corte de um bom tailler, de uma boa peça", diz ela. "Esse evento, como um todo, é mesmo uma ótima maneira de conhecer o Brasil e sua moda, mas nem todos os desfile estão no mesmo nível: há coisas pouco trabalhadas, pensadas e outras mais refinadas, como o caso dessa", completa. "Acho muito interessante esse aspecto da festa, que existe no Brasil, essa leveza e alegria ? na França, tudo é muito intelectualizado -, mas os desfiles poderiam ser mais concisos, inclusive esse."Nicole gostou ainda das coleções pops da Zapping, "super alegre e colorida" e a de Ronaldo Fraga, inspirada em Tom Zé, ambas mostradas ontem. "Ele soube apresentar novas texturas, combinações, amarrando tudo conceitualmente", acredita ela. Após Glória Coelho, o desfile de Lino Villaventura, que também teve um momento cênico marcante, assim como uma riqueza de detalhes na coleção. Ao fundo da passarela, uma cena de nu feminino real, mas de aparência pictórica. E que se manteve, no entanto, ao fundo, de forma ilustrativa, como se fosse uma outra atmosfera. A coreógrafa Telma Bonavita dançava deitada sobre uma caixa transparente, com o dorso nu e o resto do corpo coberto por uma enorme manta vermelha. Nesse sentido, essa imagem se remete também ao mote do estilista: "Tudo que nós vemos ou sentimos é um sonho dentro de um sonho". O estilista inspirou-se na frase extraída do poema A Dream Within a Dream, de Edgar Allan Poe. Na passarela, ele exibiu uma série de vestidos de peles, transparentes com ricos bordados, expostos em uma grande variação de mosaico de cores e desenhos, entre eles, o de flores. As peças são sensuais, fluídas, com saias assimétricas, decotes intensos e transparências. Lino também aposta em sobreposições, frufrus, amassadinho, plissados e patchwork com formato de tacos de madeira, tanto para os jeans, como para as calças multicoloridas. As jaquetas surgem curtinhas e as calças secas, incluindo uma versão com placas de pele de cobra naja tingida de dourado ou prata. O homem de Villaventura destacou-se com belas patchworks, construídas sob as formas de calças e jaquetas. Muitos longos femininos, muita transparência. Moda para poucos.Veja Galeria

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