Gloria Coelho e Ronaldo Fraga, sem concessões

Terminam hoje os 47 lançamentos da São Paulo Fashion Week para o verão 2005. E uma das promessas do dia é a estréia da carioca Isabela Capeto, com sua moda delicada e artesanal inspirada nos retratos dos fotógrafos africanos Seydou Keita e Malick Sidibé. O dia termina entre bananeiras hi-tech com a Vide Bula fazendo uma exaltação ao Brasil. Sexta-feira começa o Fashion Rio, que trará 31 desfiles nesta edição. O final de semana teve a apresentação de dois estilistas especialmente intensos em suas pesquisas: Glória Coelho e Ronaldo Fraga. Depois dos camuflados deste inverno, Glória investe em armaduras para o verão. É com suavidade que a estilista modela tiras de lã fria e tecidos da nova geração, unindo-as com tachinhas e miniparafusos, para criar as principais peças da coleção. O casaquinho de couro branco, todo parafusado, é um dos high-lights, assim como as peças formadas por quadradinhos de tecido costurados apenas no centro - é a versão fashion perfeita para a armadura usada pelo príncipe troiano Heitor contra Aquiles no filme Tróia, que está em cartaz. A calça tem duas proporções: mais solta com preguinhas (como se fosse um calça social de skate) ou seca e modelada ao corpo com incríveis recortes anatômicos. De um jogo de pregas, plissados, torcidos e babados, surgem os vestidos, sempre curtinhos. E as minissaias criam um novo tailleur usadas com pequenos blazers ou tops vazados de leve neoprene. Entre preto e marinho, é o branco com suas variações que predomina na passarela. A imagem é moderna e fresca. O mineiro Ronaldo Fraga também não gosta de concessões em seu processo criativo. Pensou tanto sobre o que Tom Zé fez pela música, que resolveu transpor para a roupa o que ele fez com as palavras e sons, resgatando o popular sem tirar o olho do erudito e da vanguarda. Sobre blocos de madeira com letras saídas de um caça-palavras, as modelos mostraram variações sobre o balonê, que é tendência agora mas sempre esteve presente nas formas do estilista. Com volume contemporâneo e urbano, os destaques são a saia de tyvex branca com espelhinhos coloridos e o vestido azulão de flores aplicadas pelo miolo, também de espelhinho, como o usado por Carol Trentini. Corsários e macacões vêm em proporções perfeitas para suas ótimas camisetas, em tons de pele misturados a laranja e amarelão. As letras se espalham também pelas estampas de "cinto muito" e "estrelas d´alva em chuva" e pela maquiagem que usa palavras como "lindinha" e "pão de queijo".

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