Globo tira novela mística da gaveta

Em tempos de misticismo em alta, surge o momento oportuno para reeditar O Profeta, um dos maiores sucessos de Ivani Ribeiro, exibido pela Tupi, em 1977. O projeto andava engavetado há cerca de dois anos na Globo, que detém os direitos sobre a obra da novelista, falecida em 1995. Mas há um mês, depois de uma conversa entre o autor Carlos Lombardi e o diretor da Central Globo de Produção (CGP), Mário Lucio Vaz, foi decidido que seria posto em prática um plano de utilização de novos talentos.Dois jovens autores da emissora - Margareth Boury e Thiago Santiago, colaboradores de Lombardi em Uga, Uga - vão ter a chance de trabalhar nos primeiros capítulos do remake da trama. Se tudo de certo, a novela, sob a supervisão de Lombardi, deverá ir ao ar no fim do ano que vem. "Eu disse ao Mário Lúcio que era uma forma econômica, já que os autores são contratados, de formar gente nova e ter alternativas de fácil implantação. Ou seja, na hora em que a Globo quiser, poderá dispor dos textos já prontos para produção", conta Lombardi.Mais humor - "Eles escreverão de 10 a 15 capítulos e, se forem aprovados, o número poderá ser arredondado para 20, por exemplo. É uma espécie de teste, que também serve para exercitá-los. Tivemos uma reunião, depois eles me mandaram o primeiro capítulo, anotei várias observações e enviei o material de volta. É bom frisar que são eles que estão escrevendo. Eu estou corrigindo. Não é uma coisa de autor preguiçoso, que usa dois colaboradores à exaustão e, depois, só assina a novela", esclarece.Segundo Lombardi, o texto será atualizado. Os 140 capítulos originais serão transformados em 100, e o número de personagens, diminuído. Mas o estilo de Ivani Ribeiro permanecerá."O Profeta tem dois temas atemporais: o uso comercial de um dom e o patinho feio, que acaba se transformando numa mulher maravilhosa. Como é um melodrama, acho que ficaria bem no horário das seis. Não pretendemos mexer na estrutura, apenas fazê-la ficar um pouquinho mais bem-humorada, pesar menos a mão no drama."Um exemplo do que se pode mudar é o jeito de ser do protagonista. "Para mim, o Daniel é um cara simpático, nada místico, que sempre se dá bem, mas não é golpista. Na verdade, nos capítulos da Ivani ele é apresentado dessa forma, mas acho que, na hora da interpretação, o Carlos Augusto Strazzer o fez bem mais denso, angustiado. Outra coisa: estamos dando um ´up´ na Sônia, personagem que foi da Elaine Cristina. Agora, ela será uma ex-office-girl, fera em jogos eletrônicos, desses instalados em shoppings", adianta Lombardi.Embora tenha combinado com o diretor da CGP que os dois autores não sofrerão pressões para terminar logo o trabalho, Lombardi anda tão entusiasmado que já especula sobre possíveis integrantes do elenco do remake."Para o Daniel, acho que o Murilo Benício faria bem o papel... Ah, mas tem também o Marcos Pasquim. Para a Carola, que foi vivida pela Débora Duarte, uma participação afetiva da Paloma Duarte... Ou a Leandra Leal, quem sabe?"De certo mesmo, é que Margareth Boury e Thiago Santiago já têm outro "teste" marcado para depois de O Profeta. Eles vão se debruçar sobre os capítulos de Os Inocentes, também de Ivani Ribeiro."Chegou-se a cogitar juntar as duas novelas, mas eu expliquei que eram bem diferentes. O Profeta se passa em São Paulo, e, no remake, será ambientado no Rio. Já Os Inocentes é uma história que, aos poucos, vai envolvendo todos os habitantes de uma cidade agrícola, que está morrendo economicamente. A idéia agora é fazê-la decadente por causa da falência de uma grande metalúrgica. Pensei em sugerir algum lugar na região de Bananal, entre São Paulo e Rio, onde há várias cidades que sofrem com problemas econômicos", explica o autor, que, além desse trabalho, está escrevendo a minissérie O Quinto dos Infernos, prevista para ir ao ar em 2002.

Agencia Estado,

09 de agosto de 2001 | 11h20

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