Globo tenta levantar horário das 7

Para grande parte dos telespectadores, vale mais a pena ver a reprise de Regina Duarte do que seu trabalho inédito. Pelo menos é isso que tem acusado o placar do Ibope. Na segunda-feira passada, dia 28, a reexibição da novela História de Amor no Vale a Pena Ver de Novo alcançou 22 pontos, encostando em Desejos de Mulher, que vai ao ar em horário bem mais nobre, às 19h. Naquele dia, a nova trama de Euclydes Marinho conseguiu 27 pontos.Com a chegada do carnaval, época em que normalmente diminui o número de aparelhos de tevê ligados, a tendência é que os índices da audiência se revelem ainda mais baixos. Para tentar levantar a audiência, a Globo irá inserir na programação uma série de chamadas recuperando a história dos personagens de Desejos. Ou seja, os intervalos serão recheados de resumos sobre tudo o que aconteceu com Andréa (Regina Duarte) além dos dramas de Júlia (Glória Pires).Apesar de a Globo negar a estratégia, nos bastidores corre a versão de que as chamadas seriam um relançamento da novela. "Fizemos isso em Porto dos Milagres no ano passado, que estreou antes do carnaval, dia 3 de fevereiro. Vamos veicular chamadas de todas as novelas neste ano: A Padroeira, Desejos e até mesmo O Clone, que vai muito bem no Ibope", revela a equipe da Central Globo de Comunicação (CGCom).A emissora não descarta a possibilidade de veicular as chamadas de Desejos com freqüência e tempo maiores que as das outras novelas. "Antes de Desejos a faixa das 19h já não estava com a audiência ideal. Não é de uma hora para outra que se recuperam os números", garante a CGCom.Escorregão na estréia - Os 27 pontos no Ibope demonstram que, se As Filhas da Mãe andava fora dos trilhos da audiência da Rede Globo, Desejos de Mulher descarrilhou de vez. A média das quatro primeiras semanas da trama de Silvio de Abreu ficou em 30 pontos, enquanto a média da novela de Euclydes Marinhos está nos 27. E Desejos começou escorregando logo na estréia. O primeiro capítulo alcançou média de 29 pontos - 10 a menos do que o número obtido pelo último capítulo de As Filhas da Mãe.Mesmo em relação aos primeiros capítulos, Desejos ficou atrás de As Filhas. No dia 27 de agosto, quando estreou a novela de Silvio de Abreu, a média do horário foi de 38 pontos. No entanto, vale a pena ressaltar que a audiência nos meses de janeiro e fevereiro, época em que está sendo exibida Desejos, normalmente é a menor do ano, bem menos generosa do que a de agosto, mês em que As Filhas estreou.Nos bastidores, foram apontados os "bodes expiatórios" pela má performance da trama: o apagão e o enterro do prefeito de Santo André, Celso Daniel, fatos que ocorreram no mesmo dia da estréia da novela, há duas semanas.Mas a "sangria" no Ibope vem de mais tempo. Uga-Uga, exibida no verão de 2001, conseguiu média de 38 pontos. Um Anjo Caiu do Céu, outra trama que tratou sobre o universo da moda, teve 35 pontos. Mas As Filhas é apontada como uma das piores audiências no horário das 19h desde Zazá, trama levada ao ar em 1997, também com Fernanda Montenegro no elenco. Desde então, o horário das 7 nunca tinha registrado menos de 35.Filhas da Mãe, no primeiro mês, teve média de 30 pontos no Ibope, contra 16 do SBT, com a novela mexicana Carinha de Anjo. Na época, a trama das sete da Globo chegou a ter a mesma audiência de Malhação, pouco mais de 20 pontos."Ainda não vi Desejos de Mulher e não posso explicar o porquê desse Ibope. Nós, autores, somos contratados para escrever uma novela boa que agrade o público", diz Silvio de Abreu, que teve sua novela abreviada pela baixa audiência. Como a linguagem inovadora de As Filhas não conquistou a audiência, a emissora resolveu retomar a linguagem tradicional em Desejos, em uma trama que soa como um dèja-vu ao telespectador: um embate entre duas irmãs (´Dancing Days´) que circulam pelo meio "fashion", exaustivamente retratado em Plumas e Paetês (1980), Ti-Ti-Ti (86), Top Model (89) e Um Anjo Caiu do Céu (2001). Até agora, o tradicional também não emplacou. Mesmo com os números decrescentes, a Globo desmente o estudo de um novo patamar de audiência para o horário das 19h: "Somos rigorosos com a gente mesmo", justifica Luis Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicação.

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