Globo reprisa novelas cada vez mais recentes

Você se lembra do destino de Petrucchio e Catarina no final de O Cravo e a Rosa? Quantos filhos eles tiveram? O pai de Catarina consegue ser prefeito de São Paulo? Que papel fazia Leandra Leal na trama? Se você sabe responder a alguma dessas questões, não se preocupe. Você pode não ser um noveleiro nato ou um boa vida que tem tempo de assistir às novelas das seis enquanto o resto da cidade se estressa no trânsito de São Paulo. A novela global O Cravo e a Rosa está de volta amanhã no Vale a Pena Ver de Novo. Mas ela é tão recente - foi exibida em 2000 - que chega a ser difícil esquecer os detalhes da trama. E não é a primeira vez que a Globo decide colocar um folhetim recente no ar. A última delas, Por Amor, foi exibida em 1997. Sua antecessora, História de Amor, era de 1996. A minissérie Presença de Anita foi reapresentada um ano depois de ir ao ar. A justificativa da emissora para reexibir tramas que acabaram de deixar a tela chega a ser contraditória. "Utilizamos critérios artísticos. O Cravo e a Rosa, por exemplo, é uma novela que deixou uma lembrança afetiva muito forte no público. Em geral, a novela é reapresentada por ter deixado saudades", diz o diretor da Central Globo de Comunicação, Luis Erlanger. Saudades? O Cravo e a Rosa teve um ótimo desempenho no ibope - 32 pontos de média -, mas nada que leve o público a sofrer pela falta dela, pelo contrário, muitos até se irritam com sua volta tão rápida (veja no link abaixo). Os critérios que a Globo utiliza para selecionar as novelas que serão reapresentadas à tarde levam em conta, obviamente, o ibope que elas obtiveram, embora este não seja o mais importante, segundo Erlanger. A diretora de Relações Externas da Globo, Mônica Albuquerque, explica que o perfil do público que assiste ao Vale a Pena Ver de Novo é semelhante àquele da novela das seis, ou seja, mulheres e jovens que chegam da escola. "De repente, existe uma novela que nem foi tão bem de audiência mas, se achamos que tem a ver com o público vespertino, a colocamos", diz ela. E a opinião dos telespectadores, das centenas de cartas que a Globo recebe dando sugestões? "Não computamos este tipo de pedido", diz Erlanger. A Globo começou a reapresentar suas tramas em 1980 no TV Mulher. Exibido todas as manhãs, o programa feminino, comandado por Marília Gabriela e Ney Gonçalves Dias, tinha um quadro grande que reprisava os capítulos das novelas antigas, entre as colunas de Clodovil Hernandez e Marilu Travesso. As primeiras novelas reexibidas foram Uma Rosa com Amor, Senhora e Irmãos Coragem. O sucesso do quadro foi tão grande que a Globo resolveu dar um espaço único a ele e criou, em maio do mesmo ano, o Vale a Pena Ver de Novo. Desde então, embora a reprise nunca tenha dado mais ibope do que sua primeira exibição, o horário garante bons pontos à Globo. Uma das campeãs é Por Amor, que em dezembro passado rendeu 20 pontos. As tramas mais antigas são mais difíceis de voltar também por questões de direito de exibição, segundo Mônica Albuquerque. Os atores, diretores e autores agradecem a volta à telinha nas tardes, já que a Globo paga um cachê para cada um deles. Mas nem sempre o que vai no Vale a Pena Ver de Novo é a íntegra da primeira versão. Além de enxugar a trama, alguns finais são alterados, como no caso de A Próxima Vítima, novela para a qual Sílvio de Abreu preparou cinco finais diferentes.

Agencia Estado,

12 de janeiro de 2003 | 17h28

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.