Globo prepara mix de reality show com show de calouros

Mano Júnior, Robinson, Rinaldo & Liriel. A televisão prepara-se para multiplicar os órfãos dos programas de calouros. Está em processo de instalação (no espaço que foi a cidade cenográfica da novela As Filhas da Mãe) um novo programa de TV, uma mistura de programa de calouros com reality show. O projeto, da Rede Globo de Televisão, inspira-se no modelo europeu da Operação Triunfo, um dos maiores sucessos recentes da televisão espanhola. Durante algumas semanas, 11 aspirantes a cantores dividirão uma espécie de academia musical, preparando-se para uma apresentação triunfal no último soar do gongo. Até amanhã, a TV Globo está recebendo fitas de demonstração dos candidatos em todo o País em suas 34 cabeças de rede (em São Paulo, isso pode ser feito na Avenida Luiz Carlos Berrini, 1.253, 7.º andar). O candidato deve levar um vídeo com uma canção, preencher um questionário e um termo de responsabilidade e assim estará no páreo, em tese. "Mesmo se for cantor de banheiro, se for talentoso e tiver carisma, tem chance", diz Luiz Gleiser, diretor de Núcleo da TV Globo e responsável pela implantação do projeto. Segundo Gleiser, já faz algum tempo que a emissora está recrutando candidatos em escolas de música de canto e comunidades musicais de todo o País. Gleiser também definiu o espectro de interesse dos "jovens talentos" postulantes à fama: rock, MPB, música brega romântica e pagode. "São as quatro tendências-mestras da música atual, mas não têm de ser necessariamente dessas correntes", explica diz. "Se aparecer um rapper, bacana; mas é preciso saber que é Broadway mesmo, ele vai ter de saber cantar, dançar, ter versatilidade." Operação Triunfo é um assombroso sucesso na Espanha. Cerca de 13 milhões de pessoas assistiram à última final do programa naquele país. Os finalistas venderam 4 milhões de CDs. "Foi a maior audiência da televisão espanhola", conta Gleiser. "Do rei da Espanha a Pedro Almodóvar, todo mundo viu, todo mundo comentou." O equivalente da Operação Triunfo no Brasil será ambientado numa área de mil metros quadrados, com salas de aula de canto, coreografia, ensaios, gravações. A princípio, serão escolhidos 60 candidados por uma bancada de exame, em audições técnicas. Depois, os professores da "Academia de Talentos" da Globo reduzirão a 30 candidatos, depois a 20. Finalmente, sairão os 11 postulantes finais, que vão para a casa. "O programa de estréia será uma prestação de contas públicas, com VTs, de como foram eliminados os diversos candidatos e de como chegamos aos 11 finalistas", conta. Animado com as perspectivas do sucesso de um programa do gênero no Brasil, Gleiser esteve no domingo, dia 17, em Miami, com executivos da TV espanhola. "Uma loucura, a agenda dos caras", lembra. "A cada uma hora, tinham encontro agendado com uma cadeia importante de TV." Existem cerca de 200 interessados no "franchising" do programa ao redor do mundo. Gleiser diz que os direitos pertencem fundamentalmente à empresa holandesa Endemol, parceira da Globo no Big Brother Brasil (eles têm um equivalente, o Starmaker). "Se alguém vai piratear o programa?", indaga. "Não creio, porque é um programa que precisa de seriedade e qualidade", alfineta.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.