Globo encomenda filme de "Roque Santeiro"

Ela não sabia se deveria confiar nele. Ele, por sua vez, tinha medo de não ser tão bem sucedido quanto ela. Alguns filhos nasceram durante o relacionamento, mas os dois nunca assumiram um compromisso definitivo. Foi preciso que muita gente se interessasse pela união para que o cinema e a televisão finalmente dessem as mãos. O nascimento da Globo Filmes, em 1997, e o sucesso de derivados da tevê, como O Auto da Compadecida, já anunciavam a possibilidade de um casamento definitivo entre as duas mídias. Aquilo, no entanto, era apenas um namorico adolescente. Este ano, com a criação da Record Filmes e da Band Filmes, televisão e cinema trocam juras de amor eterno. Até que o público os separe, é claro.Enquanto os primeiros projetos começam a engatinhar pelos corredores da Record e da Bandeirantes, a Globo já fez curiosas encomendas para a cegonha. Em 2005, devem nascer os filmes Roque Santeiro e Guerra dos Sexos, baseados nas novelas homônimas que fizeram sucesso nos anos 80. "A Globo vai produzir entre oito e dez filmes por ano, em co-produção. E é possível que sejam desenvolvidos outros filmes tendo como base os programas de TV", garante o diretor de operações da Globo Filmes, Carlos Eduardo Rodrigues. Ainda que o braço cinematográfico da Globo já esteja bem desenvolvido, 2005 é um ano especial: marca os 40 anos de vida da emissora.Um dos primeiros presentes deve vir das mãos de Sílvio de Abreu, autor de Guerra dos Sexos (1983). "Já tenho uma sinopse pronta da novela para o cinema. Foi difícil fazer as escolhas, mas confio que cheguei a um bom resultado. O que mais me anima no projeto é que ele será produzido por Guel Arraes e dirigido por Jorge Fernando, que originalmente também fizeram a novela", conta Sílvio. Transformar seis meses de novela em duas horas de filme não é uma tarefa fácil. "Não se pode pegar o tema e simplesmente fazer um roteiro desprezando a memória do público. O produto deve, ao mesmo tempo, mexer com a memória e encantar com novidades. O trabalho é difícil, mas acho que vai valer a pena", diz o novelista. A Globo também acredita nisso. Tanto que já estuda a adaptação de outras novelas para o cinema. Depois de Roque Santeiro.e Guerra dos Sexos, será a vez de O Astro, escrita por Janete Clair em 1977.

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