Globo dramatiza morte e vida do sertanejo Leandro

O diretor Ricardo Waddington fala sobre seu projeto Por Toda Minha Vida e conta por que dedica a edição desta sexta ao cantor que fazia dupla com Leonardo

Agencia Estado

25 Junho 2007 | 14h19

Vai ao ar nesta sexta-feira, 22, pela Globo, mais um especial da série Por Toda Minha Vida, que começou homenageando Elis Regina. Desta vez, o diretor Ricardo Waddington volta-se para o cantor Leandro, que fazia dupla com o irmão Leonardo e morreu em 1998. A seguir, entrevista exclusiva de Waddington ao Estado. Qual o critério para escolher os personagens homenageados nos docudramas que você dirige? Por Toda Minha Vida surgiu da intenção de homenagear figuras da MPB dos diversos gêneros, e levar ao público o que eu e minha equipe achamos ser música de qualidade. Você considera a música de Leandro de qualidade? Dentro do sertanejo Leandro e Leonardo é uma dupla importante, que levou um gênero regional para o País inteiro, assim como fez o Gonzagão. Quis explorar a qualidade dentro do gênero, não podemos ser preconceituosos, eles venderam 4 milhões de CDs, existem muitos brasileiros que gostam. O que você quer mostrar em Por Toda Minha Vida? Personagens importantes no universo da MPB. Tenho uma filha de 20 anos que não sabe quem é Nara Leão, não sabe da riqueza dos personagens que participaram da carreira dela e que influenciaram todos os talentos que vieram. Colocar no ar as histórias riquíssimas que foram a vida desses artistas. Qual o personagem que você mais queria retratar na série, mas ainda não conseguiu? Por quê? Cássia Eller, mas estamos negociando com a família. É sempre delicado traçar a biografia de alguém porque envolve filhos, a família, e nem sempre as pessoas estão dispostas a abrir a intimidade. Mas faço esta série com a maior delicadeza. Meu compromisso com a família do homenageado é de ter um olhar respeitoso sobre a vida e a obra dele. E a polêmica sobre o não aprofundamento sobre as causas da morte de Elis Regina? Foi uma falsa polêmica gerada pela mídia. João Jardim (diretor do episódio) foi mal interpretado, a falta de experiência dele fez com que ele fosse enredado. Tanto é que não houve problemas, que ele vai dirigir os programas de Clara Nunes e de Nara Leão. Não há censura externa, o que prevalece é o meu bom senso como diretor responsável. Qual o grande problema que você teve de administrar para juntar informação e teledramaturgia? O programa é feito de depoimentos, arquivo e dramaturgia. A dramaturgia entra quando os depoimentos e arquivos não são suficientes para ilustrar bem determinada fase da trajetória do artista. E depois nos dá a chance de fazer uma cena, afinal, somos todos filhos de Deus. Você não acha que falta boa música na TV brasileira? Falta sim, deve haver um lugar na TV para mostrar não só a música comercial que toca no rádio, a que vende. O público merece ter acesso à música de qualidade. Por que a TV Globo não investe mais em musicais? Estratégia de programação. Agora tem o Som Brasil e Por Toda Minha Vida. Por que os musicais da Globo vão ao ar tão tarde? Não tenho a menor idéia. Mas sou da opinião que antes tarde do que nunca. Se não há espaço na grade em horário nobre, tudo bem. A Globo é a única com coragem de colocar dinheiro em um programa que vai ao ar em um horário que não tem retorno comercial. Há espaço para o trabalho autoral na televisão? Claro, prova é o trabalho do Luiz Fernando Carvalho. Por que só Luiz Fernando Carvalho faz o que quer na Globo? Ele faz o que encomendam para ele depois de apresentar um projeto. Eu apresentei o Por Toda Minha Vida. Mas a Globo é a única emissora que abre espaço para experimentação, confia no seu profissional. A Pedra do Reino é parte da série Quadrante, com histórias interpretadas por profissionais de várias regiões. E em horário nobre, o público teve a oportunidade de entrar em contato com o mundo mitológico de Ariano Suassuna. Quem mais faz isso? O que gostaria de ter feito na TV? Adoro o veículo e acho que o folhetim de todos os dias é o produto mais sensacional. Adoro fazer novela. Outra narrativa que eu gostaria de experimentar é o cinema. Vou dirigir o filme Malhação, que será produzido pelo meu irmão (Andrucha Waddington), com roteiro de Sérgio Goldenberg e Jorge Moura. Depois vou dirigir Lucinha McCartney, baseado no livro de Rubem Fonseca. Antes, porém, vou dirigir uma novela das 8.

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