Globo censura depoimentos reais de Páginas da Vida

Os depoimentos reais que encerram os capítulos da novela Páginas da Vida passam a sofrer censura interna na Globo. Em razão do relato exibido no último sábado, em que uma senhora contou como descobriu o orgasmo, a direção da casa resolveu que todos os episódios serão submetidos à Central Globo de Qualidade, ou seja, a uma instância acima do autor Manoel Carlos e do diretor Jayme Monjardim.?A TV Globo reconhece que houve um excesso?, informou a Central Globo de Comunicação ao Estado, após consultar o diretor-geral da Rede Globo, Octávio Florisbal. Também procurado pelo Estado, o autor Manoel Carlos pediu desculpas aos telespectadores que se incomodaram com o depoimento.Depoimento na internetNa cena, que já está disponível no portal youtube.com, uma senhora de 68 anos conta que só soube o que era gozar aos 45 anos. ?Pra mim era tudo normal, o homem terminava e eu também?, disse. Fala que dormiu ao som de Côncavo e Convexo, de Roberto Carlos, e, ao acordar estava com ?as pernas suspensas, a calcinha na mão e toda babada?. ?Homem pra mim não faz falta, eu mesma dou um jeito?, conclui.Manoel Carlos explica que ?os depoimentos atendem a um desejo nosso (meu e do Jayme Monjardim) de aproximar a voz das ruas da novela?. ?São feitos espontaneamente, as pessoas autorizando a divulgação, como é de praxe. Temos vários gravados e nem sequer sabemos se vamos continuar com eles até o fim da novela. É uma experiência que estamos fazendo.?E continua: ?O de sábado deveria ter sido editado, com cortes em algumas palavras, mas acabou passando sem que fizéssemos esses cortes. Lamento muito que algumas pessoas tenham se chocado e ficado constrangidas. Entendo perfeitamente as razões que elas apresentam.?Sobre a repercussão, o autor fala que ouviu opiniões contrárias. ?Mas muitas manifestações de aprovação também me chegaram, de pessoas que admiraram a coragem de uma mulher do povo, dona de casa humilde, dar aquele testemunho. Afinal, não era uma mocinha jogando charme, e sim uma mulher de quase 70 anos.?E conclui: ?Os que protestaram merecem, neste momento, mais atenção do que aqueles que eventualmente gostaram. E a eles, portanto, peço desculpas pela falta involuntária.?

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