Globo aposta no glamour dos anos 40

O desejo de uma jovem em tornar-se cantora de rádio em plenos anos 40 ajudará o escritor Lauro César Muniz e o diretor Jayme Monjardim a contarem a segunda parte da história da música brasileira em Aquarela do Brasil, minissérie que a Rede Globo estréia na próxima terça-feira, dia 22, às 22h45, preenchendo o quarto horário de novelas da emissora.Depois de consolidarem juntos o sucesso de Chiquinha Gonzaga no início de 1999, Lauro e Jayme prometeram manter a parceira para fazer uma trilogia sobre a Música Popular Brasileira. "Começamos com ´Chiquinha´, e agora damos continuidade com Aquarela. Para futuro, vamos pensar em algo", garante o autor, que desde 1986 tinha um projeto de mostrar a ascensão de uma cantora. "A idéia casou com a do Jayme, que gostaria de contar uma história na década de 40, com a guerra, a era do rádio e o nascimento de uma nova artista."Na nova produção de época da Globo, Maria Fernanda Cândido será Isa Galvão, uma moça simples que deixa a cidade de Roseiral, onde vive com os pais Olga (Bete Mendes) e Belmiro (Sebastião Vasconcellos), e parte para o Rio de Janeiro com o sonho de tornar-se uma cantora de rádio.Ainda na pequena cidade, ela conhece o Capitão Hélio (Edson Celulari), que chega para prender seu tio Felipe (Marco Ricca), acusado de espionagem nazista. Ele é detido na prisão da rua Frei Caneca (RJ), uma das mais violentas da época. O fato levará Isa a aventurar-se pela Cidade Maravilhosa, a fim de provar a inocência do tio e seguir a carreira musical.Triângulo amoroso - Mesmo envolvida com o Capitão, seu primeiro grande amor, Isa conhecerá Mário Lopes (Thiago Lacerda), pianista da Rádio Carioca. Metido a conquistador, ele ajudará Isa na nova carreira e logo preencherá um lugar no coração da moça, que ficará dividida entre as duas paixões. Paralelo ao triângulo amoroso, explode a Segunda Guerra Mundial, e com ela toda a preparação do Brasil que, numa manobra do então presidente Getúlio Vargas, se transfere para o lado dos Aliados e coloca-se contra o eixo nazi-facista. "Getúlio foi um grande ditador, que flertava claramente com a Alemanha e a Itália, mas que com muita habilidade, se transportou para o outro lado", diz Lauro César. "Vamos contar sobre essa época, um momento que foi divisor de águas no País e que a tevê sempre abordou de passagem."Vida Noturna e Holocausto ? Realidades tão distintas serão abordadas na minissérie, que promete retratar a vida noturna carioca e os horrores provocados pelo holocausto. Os cassinos do Rio de Janeiro e o Night Club Havana contarão a história da ex-vedete Velma (Ângela Vieira), amante há 15 anos de Armando (Odilon Wagner), dono da Rádio Carioca, casado com Dulce (Natália do Valle) e pai de Marina (Talita de Castro) e Luisa (Fernanda Rodrigues), que se apaixonará pelo pianista Mário.O samba brasileiro será destaque na favela onde mora Bemol (Norton Nascimento), compositor e grande amigo de Mário, e sua mãe Celeste (Chica Xavier), além de Neide (Adriana Lessa) e Pitu (André Luiz Miranda). A arte circense também terá espaço com as histórias de Casaca (Marcos Frota) e Maria (Dandara Guerra).Em meio à tanta alegria, a guerra será contada através das histórias de judeus que fugiram de seus países para escaparem da perseguição de Hitler. Entre os refugiados estão Bella (Daniela Escobar), garota rica que foge da França com a ajuda de um oficial nazista que se apaixonou por ela. Na mesma situação chegam Mathilde (Débora Olivieri) e o irmão Alfredo (Luciano Szafir), que são acolhidos pelo livreiro Jakob (Gilberto Marmorosh). Já o casal Sofia (Graça Berman) e Dr. Álvaro (João Signorelli) serão perseguidos pela polícia por ajudar refugiados judeus."Esse é um assunto muito sério e delicado, e não podermos errar. Por isso contamos com o Sr. Aleksander Laks, nosso consultor sobre holocausto. Ele, que sobreviveu aos campos de concentração, é o nosso eixo com essa parte da história que todo o mundo deve entender para que as mesmas atrocidades não ocorram novamente", explica Monjardim. Assim como na minissérie Chiquinha Gonzaga, na qual cada capítulo era encerrado com uma apresentação musical, para Aquarela do Brasil será usado o mesmo recurso, com a exibição do Cinejornal. "Isso é um ´charme´ que o Jayme criou para encerrar cada episódio", define Lauro César. O Cinejornal será um minuto diário, produzido em preto e branco, com os principais fatos verídicos da época. "Temos um ótimo material de pesquisa que será aproveitado desta forma, e será o atestado de verdade histórica na nossa minissérie."

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