Zé Paulo Cardeal/TV Globo/Divulgação
Zé Paulo Cardeal/TV Globo/Divulgação

Globettes e ''Udigrudi'' têm boa química

Episódio baseado nas canções de Chico acertou no timing e na valorização da ternura das músicas

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

13 Janeiro 2011 | 00h00

Dirigido por Tadeu Jungle, estreou anteontem na Rede Globo o primeiro filme da série Amor em 4 Atos, que parte de uma aproximação cênica com o universo lírico das letras de Chico Buarque de Hollanda. O episódio Ela Faz Cinema passou logo após o BBB11 (o já famoso "Big Bíceps Brasil"). O BBB foi algum tipo de aquecimento para a série, cujos maiores trunfos foram os vários peitorais explícitos de Malvino Salvador e um nu dorsal estupefaciente de Marjorie Estiano.

Gente do teatro emparelhou forças com gente do Projac no especial. Globettes e o udigrudi da Praça Roosevelt. Deu numa boa combustão. Cacá Rosset interpretou Rafic, um melancólico vendedor de falsas esfihas da Síria e do Líbano nas imediações da Estação da Luz. Martha Nowill fez a mulher da voz pela qual Rafic sonha, a voz anônima que anuncia os trens que chegam na estação. André Frateschi brilhou como o noivo enrolão da protagonista. A narração, como de praxe, foi do ator Paulo Cesar Pereio (que aparece no final como homem-sanduíche).

Farsante. O episódio (21 pontos de média de audiência) foi divertido, rodriguianamente engraçado, destacando uma evolução marcante de Marjorie Estiano como atriz. Ela é Letícia, uma sonhadora diretora de videoclipes que vê no aparecimento acidental do pedreiro Antonio (Salvador) a materialização do sonho do príncipe encantado - já que o "príncipe" de verdade, seu noivo (Frateschi), não passa de um farsante.

O único descompasso diz respeito à utilização da música-tema. Ela Faz Cinema, a canção, é uma bossa nova intimista, e o filme da estreia rumou para um ritmo mais de pagode.

E a única aproximação com Construção, o clássico maior de Chico, é a presença dos pedreiros (Gero Camilo entre eles). Parece tudo um grande Chico Remix. Entretanto, o episódio ressaltou a grande ternura que o cantor e compositor demonstra pelos personagens de suas canções. Ponto pro filme.

Móbile. O diretor Tadeu Jungle, ex-TVDO, é egresso da cultura visual dos anos 1980, e essa experiência trouxe um ritmo pop ao trabalho. Arnaldo Antunes, também ídolo oitentista, faz uma ponta cantando sua versão de Construção (na verdade, uma espécie de Desconstrução). Como nos filmes de Tim Burton, a cidade de São Paulo surge "retalhada", como uma metrópole-móbile.

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