Glamour e tumulto marcam segunda jornada da SPFW

Champanhe no café da manhã! Coisa de celebridade, sem dúvida. E quando a imponência da Sala São Paulo (oásis civilizado coladinho à tenebrosa "Cracolândia" do centro paulistano) foi aberta para os convidados da Cori, com um big breakfast às 10h30, já dava para sentir o clima do segundo dia da SPFW. Jornada que teve direito ao mau humor perverso de Renato Mendes e à notoriedade sempre mal-explicada de Maria Clara Diniz.Voltando à realidade, a Cori sob a direção artística de Alexandre Herchcovitch foi de um glamour à toda prova. "Nossa, isso aqui parece Paris", diziam tanto fashionistas de velha cepa quanto recém-chegados, diante da arquitetura e dos vitrais da Estação Julio Prestes. Afinal, desfiles em locações inusitadas fora do epicentro onde rolam todas as apresentações, é de praxe na temporada internacional. A Orquestra Jazz Sinfônica atacou de Villa Lobos (O Trenzinho do Caipira) e Herchcovitch colocou sua engrenagem fashion pra funcionar. Foi a mais bem resolvida coleção do estilista para a tradicional etiqueta. Muito bem executados os mantôs redingote, clássicos e poderosos (no final, um deles, exibia uma moderna barra com ajuste coulissé, super streetwear). Ótimas saias amplas com bordados e aplicações. O inevitável blazer da "secretária de futuro" apareceu desencaretado, com cintura marcada. E os longos, no final da apresentação, não podiam ser mais românticos, mixando elegância urbana e Hollywood glam (com bolsos na altura onde as mãos esperam encontrá-los). Padrões ingleses, como xadrezes e uma citação dos losangos Argyll, deram um fleuma British sem obviedade ou pedantismo. E o DJ Felipe Venâncio envenenou tudo com um beat eletrônico sobre os acordes de Villa Lobos. Bravo!Na seqüência, já de volta ao Prédio da Bienal, Glória Coelho se rendeu ao patchwork. Sempre meticulosa, a estilista costurou e grudou trevos recortados, formando saias e casacos ao mesmo tempo românticos e modernos. Golas altíssimas coroavam os mantôs e o camuflado velho de guerra compareceu em minicasacos e calças adesivas. Muito legal a mistura de babados e pele nos vestidos de noite. Além do preto que predomina em todas as coleções, ela também investiu no branco e off white.A mineira Patachou de Tereza Santos, faz malharia de qualidade para uma clientela fiel e agora também arrasa nas vendas em Tóquio. Talvez por isso, tenha vindo tão colorida e brincalhona, cheia de vestidos com dançantes, gorros de aparência infantil e listras com todas as cores do arco-íris. Na trilha sonjora, Missy Elliot misturada com Michael Jackson (I?m bad!). É comercial, direta e nada emocionante. Vai continuar faturando, com certeza.Um dândi embriagado de vinho e paixão foi a inspiração de Mário Queiroz. Com peças de aparência envelhecida e mais um tanto de alfaiataria, o estilista continua sua aventura no básico nosso de todo dia. Já o carioca Máxime Perelmuter, com sua British Colony, fez uma divertida releitura do grunge. Cabelão ao vento, camisa xadrez amarrada na cintura e calça-minhocão são para uma garotada nem aí com as baixas temperaturas (garotões não sentem frio, certo), cheia de ironia, energia e músculos.Responda rápido: o que é melhor do que uma celebridade de verdade? Uma de mentira, claro. Daí que o desfile da Fórum serviu de cenário para mais um round do embate entre o pérfido Renato Mendes e a boa praça Maria Clara Diniz, em Celebridade. E foi um tumulto infernal. Na primeira fila, junto da garota Summer Spell, figurinhas carimbadísimas do universo Caras-Quem Acontece: Luana Piovani, Ricardo Mansur, Chris Saddi e Bebel Gilberto (que também cantava na trilha sonora do show). Muito engraçado o frenesi dos fotógrafos, se lambuzando no papel de abutres de plantão. Mas, e a moda?Well, se a coleção fosse um flop, seria um anticlímax. Mas como toda novela merece um final feliz, a Fórum fez bonito. Como não fazia já há algumas temporadas. Seu inverno é sensualíssimo sem ser vulgar ou óbvio. Em um cenário de espelhos (como a sala assustadora de A Dama de Xangai, de Orson Welles) desfilaram vestidos de jérsei sob medida para deusas, ou "aspirantes a". Decotes generosos, drapeados insinuantes, recortes reveladores. Tufi Duek respeitou o mandamento do mestre Saint Laurent: "vestidos leves como um sopro de cor sobre o corpo de uma mulher". Vestidos estilo anos 20 com saias pétalas bordadas de cristais são para melindrosa nenhuma botar defeito. E sem essa de Chocolate com Pimenta porque o assunto aqui é O Grande Gatsby (mulheres rrrrrricas, sabe como?). E que belos vestidos embabadados. Parafraseando uma colega da primeira fila: foi um desfile "babado fortíssimo".No encerramento, a Ellus vestiu suas meninas de rock chicks, ou "minas roqueiras" em livre tradução. Elas são over mesmo. Misturam babado bordado faiscante, jeans com paetê, estampa cheguei com tecido amassado, bota de chacrete com chapéu (aliás, invista no chapéu porque a moda, parece, está na cabeça). É estranho, meio fora de lugar e um pouco decadente. Mas tem identidade e com certeza vai encontrar muitas adeptas.Depois de tanto agito, só mesmo mais ação. Havia pelo menos três ou quatro festas de arromba na cidade para o povo da moda. Resistir? Quem há de? A quantidade de óculos escuros na primeira fila, hoje, responderá o mistério. Continue conectado...Veja galeria de fotos

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