Andrea de Silva/ Reuters
Andrea de Silva/ Reuters

Glamour e respeito em 51 anos de palco

Poucas cantoras angariaram tanto prestígio quanto Diana Ross, que se apresenta hoje e amanhã em São Paulo

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2013 | 02h16

No ano passado, ela ganhou um Grammy especial pela contribuição de uma vida inteira dedicada à música. Suas melhores discípulas, como Beyoncé (que acaba de anunciar nova turnê pelo Brasil em setembro) e Rihanna, dariam todos os apliques de sua coleção para ficar com um décimo do seu currículo. Em 51 anos de palco, poucas cantoras angariaram tanto respeito quanto Diana Ross, a última grande diva do R&B e da soul music - após a morte de Donna Summer, ela restou como a grande representante da época glamourosa da disco music.

Soul singer de consciência cívica e social, Diane Ernestine Earl Ross, de 69 anos, volta e meia está cantando lá na Casa Branca para o casal Obama, que a adora. É grande amiga de Nelson Mandela, que disse dela: "Parece estar sempre correndo, nunca caminhando, e é uma inspiração para todos nós". Ela sobreviveu àquelas que teriam vindo para destroná-la, com Whitney Houston e Janet Jackson, e ultrapassou também aqueles a quem ajudou a catapultar para a glória, como Michael Jackson.

Ela canta - hoje e amanhã em São Paulo, depois no Rio (dia 29) e Curitiba (dia 2) - pop, jazz, R&B, soul, funk. Nos shows, os maiores hits estarão presentes, como I'm Coming Out, Do You Know Where You Are Going To e Ain't No Mountain High Enough. Ela também pode homenagear amigos perdidos, como Michael Jackson e Marvin Gaye, porque ela sim esteve do lado deles desde o primeiro momento.

Diana entrou no livro Guinness dos recordes como a artista feminina de maior sucesso de todos os tempos, título obtido por ter ficado 18 vezes em primeiro lugar nas paradas (seis deles em carreira solo). Só os Beatles (20 primeiros lugares) e Elvis Presley (18) a igualaram ou superaram.

Nos anos 1960, ela já estava em ação com The Supremes, trio fundado por outra cantora lendária, Florence Ballard (morta em 1976) e que tinha ainda Mary Wilson. Florence ficou nas Supremes até 1967, quando foi substituída por Cindy Birdsong. Poucos ouvintes em qualquer extremo do planeta terão deixado de ouvir Stop! In the Name of Love. Ela foi indicada para o Oscar pela interpretação de outra cantora extremada, Billie Holiday, em 1972.

Recentemente, o Midas Berry Gordy, fundador da fábrica de talentos negros da Motown e ex-manager das Supremes, contou no programa de TV da Oprah que o grupo acabou quando Diana se recusou a cantar, numa turnê pela Inglaterra, You're Nobody Till Somebody Loves You, de Dean Martin, que ela detestava. Diana não é fácil: também tinha concordado em responder a 10 perguntas da reportagem para essa turnê, mas depois mudou de ideia e desencanou.

Há 32 anos, ela gravou com Lionel Richie a canção Endless Love, a mais pedida em casamentos no mundo todo até hoje. A canção foi tema do filme Amor Sem Fim, e quando Lionel Richie esteve no Brasil pela última vez, cantando no Ginásio do Ibirapuera, ele pediu a todas as mulheres presentes: "Diana não está aqui, mas eu peço a vocês que a substituam, que cantem a parte dela comigo". Diana foi dublada por mais de 3 mil mulheres.

Na semana passada, sua lista de exigências já causou, ao ser divulgada: exigiu que todos os camarins tenham grandes espelhos com iluminação em todos os lados, nos "moldes dos camarins da Broadway". Diana ainda não esqueceu do Studio 54, pelo jeito. Esperemos que ela ainda saiba como animar uma noite de espelhos.

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