Glamour alternativo

Festival de Cannes começa hoje com uma polêmica seleção de filmes que tendem para o mais ousado e o menos mercadológico

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2010 | 00h00

A Palma mais cobiçada do mundo. Ressaca do mar quase ameaçou a festejada cidade litorânea, mas o burburinho já está instalado, embora com menos astros e mais 'filmes-cabeça'      

 

ENVIADO ESPECIAL / CANNES

Há dois anos, já ocorrera um fenômeno parecido com o da semana passada e outra ressaca produziu uma onda que invadiu a Croisette, destruindo parcialmente a decoração do festival que começa hoje. Houve alarme. O pequeno Tsunami colocaria em risco a 63.ª edição do maior evento de cinema do mundo? Um comunicado dos organizadores colocou fim às especulações. O Festival de Cannes de 2010 estava assegurado e, nesta noite, estende o tapete vermelho para a première mundial de Robin Hood. O épico de Ridley Scott com Russell Crowe no papel do herói ? e Cate Blanchett como Lady Marian ? estreia simultaneamente nos EUA e na Europa. Em Paris, os ingressos vendidos com antecedência autorizam a expectativa de um grande êxito. No Brasil, o filme entra em cartaz na sexta.

O pequeno Tsunami causou estragos superficiais, mas, segundo os comentários de bastidores, outro Tsunami, muito maior, agita os bastidores de Cannes. Os patrocinadores não estão nada satisfeitos com a seleção do diretor artístico Thierry Frémaux. Nunca o tapete vermelho de Cannes foi tão "alternativo", pelo menos nos últimos anos. A seleção oficial reduziu ao mínimo a participação dos EUA na competição. Os suspeitos de sempre ? Woody Allen e Oliver Stone, entre outros - vão animar as sessões especiais, mas com reduzidos astros e estrelas de Hollywood participando da competição, o brilho e o glamour das sessões de gala estão ameaçados. Será? Cannes é um grande evento midiático, é como uma Copa do Mundo sem Kaká nem Robinho.

Garimpagem. Thierry Frémaux está tranquilo. Diz que a seleção de 2010 põe na disputa pela Palma de Ouro o que de mais importante foi oferecido, ou pôde ser garimpado, entre as centenas de títulos oferecidos, de todos os lugares do mundo. França, Itália e Alemanha vão representar a Europa, Coreia e China garantem a representação asiática e a América Latina envia à Croisette uma de suas estrelas ? o mexicano Alejandro González-Iñárritu, que mais uma vez concorre à Palma de Ouro, agora com Biutiful. Na verdade, tudo não passa de conjecturas ? o festival ainda nem começou, mas a Croisette já fervilhava ontem, como poucas vezes se viu. Alternativo, sim. Mas é difícil derrubar o glamour.

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