Giuseppe Baccaro expõe sua coleção em Recife

Reunir obras significativas entre as milhares de gravuras, pinturas, esculturas, documentos, livros raros, e amostras de arte popular reunidas durante 50 anos pelo colecionador de arte e marchand pioneiro Giuseppe Baccaro e delas construir uma exposição representativa deste acervo foi o desafio imposto pelo coordenador do Instituto Cultural Bandepe, Carlos Trevi. Idealizador do projeto, Trevi queria trazer para a exposição não apenas o Baccaro colecionador de arte ou o Baccaro bibliófilo, mas revelar, através de sua coleção, o espírito inquieto deste marchand que abandonou uma carreira de sucesso e galeria de arte em São Paulo para realizar trabalhos sociais em Olinda, Pernambuco. O resultado pode ser conferido na exposição Coleção Giuseppe Baccaro - A arte de ver o mundo, que reúne 270 obras, dispostas em espaço nobre no Instituto Cultural Bandepe, localizado no marco zero da cidade de Recife. A mostra traça a história da formação desta coleção por meio da trajetória deste italiano, professor de filosofia, que deixou a Itália em busca de um sonho brasileiro. Em São Paulo, trabalhou como tipógrafo, editor de jornal da comunidade italiana e montou nos anos 60 a galeria e casa de leilões Mirante das Artes, em sociedade com o marchand italiano Pietro Maria Bardi que, por sua vez, ajudou Assis Chateaubriand a montar o Masp. Baccaro tornou-se marchand de artistas que estavam esquecidos nos anos 60 como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Ismael Nery, e fez renascer o interesse pela arte brasileira. Assim, ganhou escopo para iniciar sua coleção em viagens pelo mundo onde adquiriu obras de arte de todos os tempos, documentos históricos, mapas, manuscritos, pinturas, gravuras e primeiras edições de livros. Por outro lado, também foi grande descobridor de talentos na arte popular. Baccaro via igual talento nos mestres gravadores europeus e no trabalho dos humildes xilogravadores nordestinos de cordel, e ensinou toda um geração de galeristas a colocá-los lado a lado, democraticamente, como fazia com as peças de sua coleção. No final dos anos 60, decidiu transformar seu sonho de democracia nas artes em realidade e vendeu parte de sua coleção para custear a Casa das Crianças de Olinda, em Pernambuco. Mudou-se de mala e cuia para lá, juntamente com sua coleção, alojando-a em três sobrados conjugados na Rua São Bento, na região central de Olinda. Em seu interior, um labirinto formado por esculturas, pinturas, mesas abarrotadas com aquarelas, têmperas chinesas, estantes com livros raros, como uma edição dos Sermões do Padre Vieira, de 1679, impresso em papel de linho. Nesta aparente confusão, litografias de Sisley convivem com gravuras de Dürer e Di Cavalcanti, uma água forte da Abaporu, de Tarsila do Amaral, e muitos documentos, mapas e cartas, entre elas uma missiva de Sarah Bernard ao amante. A exposição A Arte de Ver o Mundo alinhava este aparente caos em cinco módulos: Oriente, Europa, Mapas, Índios e Negros, Publicações raras nacionais e internacionais e Arte no Brasil. Para a curadora Maria Lúcia Montes, a exposição é uma homenagem a este homem que passou toda sua vida buscando a grandeza do espírito humano nas criações de arte que reuniu em sua coleção e que descobriu que a coisa mais importante e coerente que já fez na vida foi a Casa das Crianças de Olinda. Coleção Giuseppe Baccaro - A arte de ver o mundo. Abertura - 11 de agosto para convidados. De 12 de agosto a 19 de setembro, no Instituto Cultural Bandepe, Av. Rio Branco, 23, 2.º and., Recife, PE. Entrada franca

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