Gisele fecha a segunda noite de desfiles da Fashion Rio

Dia foi marcado por estréias e por belas apresentações na passarela carioca

Clarissa Thomé e Roberta Pennafort, de O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2008 | 23h43

Tendo como estrela maior Gisele Bündchen desfilando pela Colcci no final da noite, o segundo dia de desfiles do Fashion Rio foi marcado por estréias e por algumas belas apresentações. Fotos: Wilton Junior e Marcos D'Paula/AE  A brasileira entrou com mais de uma hora de atraso na passarela, mas as cerca de 800 pessoas presentes não reclamaram. Bastou Gisele pisar na passarela para o público delirar. O mesmo ocorreu em outras duas entradas. A passarela giratória do desfile-espetáculo da Colcci até atrapalhou alguns modelos - que se desequilibraram. Mas a top passou incólume.  O tema da Colcci foi "uma volta ao mundo em um dia, do amanhecer ao pôr-do-sol", o que começou e terminou com Gisele. Depois da sensação da primeira aparição, ela voltou ainda mais arrebatadora, de cabelos soltos ao vento vestia uma espécie de blusa-vestido de mangas fartas e botas xadrez bem altas. O modelo era estranho, mas o público adorou. Por último, ela veio de vestido metalizado curtinho e mais uma vez de botas bem altas. Simpática como sempre, Gisele destoava pelo sorriso nos lábios, longe do ar blasé dos demais. A Colcci se inspirou na moda urbana das grandes metrópoles do mundo e lançou mão de muito xadrez, botinhas na altura do tornozelo, modelagens balonê e cinturas altas. Os modelos masculinos apareceram com meias grossas coloridas sob bermudas. A noite acabaria em uma festa privê da grife na boate moderninha The Week. Gisele prometeu aparecer. Nesta quarta-feira, 9, ela volta para Nova York. O mineiro Victor Dzenk conseguiu traduzir o glamour e a sofisticação do Hotel Copacabana Palace na sua coleção outono/inverno. O desfile, ocorrido de manhã em dois salões do Copa, foi aplaudido de pé pela platéia, que incluiu as atrizes Maitê Proença, Rosa Maria Murtinho, a ex-miss Leila Schuster, a produtora de de cinema Lucy Barreto, entre outras celebridades.  Dzenk freqüenta o hotel há cinco anos e debruçou-se por meses sobre seu acervo. O resultado é uma moda feminina com vestidos longos e curtos, cheios de decotes e fendas. "É a moda que eu gosto. Nada daquela mocinha romântica de mangas bufantes. O inverno do Rio é assim: colorido, decotado. No máximo, um trench coat para quebrar o frio", desmanchou-se a empresária Luiza Brunet, uma das vips a assisti-lo.  Mais tarde, a Mara Mac fez nevar em pleno verão carioca - homens pendurados sobre a passarela lançaram papel picado sobre as modelos, num belo e delicado efeito. A estilista fez uma coleção aconchegante, com malhas felpudas, lãs, echarpes nos pescoços e sobreposições. O tema era "a mente e os devaneios" e "os caminhos e descaminhos do coração" e a apresentação foi embalada por canções românticas.  Os miniboleros eram coloridíssimos, como as meias sob calças, bermudas e vestidos: roxas, laranjas, marrons. A grife trouxe também tons variados de branco e de preto. Mara Mac explica as estampas: "A marca vem se preocupando há algum tempo em desenvolver temas que tratam da interiorização. Trouxemos estampas de neurônios. Os tecidos são fluidos, como os sonhos. Tudo isso é expresso sutilmente nas roupas".  A imaginação de um estilista não conhece limites e o pernambucano Melk ZDa trouxe para sua passarela noivas-cadáveres à Tim Burton. Tafetá, organza de seda e cetim vestiram nubentes e zumbis, em branco, preto, roxo e vinho. O desfile foi ao som da música brega "De que vale ter tudo na vida", em versão moderninha. Era um funeral ou casamento? "Busquei o universo da vida e da morte. O mesmo matelassê que reveste caixões é usado em vestidos de noiva. Tudo depende do ponto de vista", acredita Melk Zda.  A DTA, conhecida por seu jeans, fixou-se num "sportwear de luxo" em sua coleção, e numa cartela de cores neutra, com tecidos como algodão orgânico. A tarde foi mesmo dos ecologicamente corretos. A baiana Luciana Galeão, que dividiu a passarela com a estilista Giulia Borges, no desfile Novos Estilistas, usou fibras produzidas a partir da polpa da madeira de árvores de reflorestamento. O tecido lembra sarja e seda. Já Katia Ferreira, da grife brasiliense Apoena, lançou mão do moletom de Marles, feito com fibra de bambu e sarja acetinada Ypoa, da Vicunha, empresa que tem sistema de gestão ambiental.  Luciana Galeão, que se apresenta pela terceira vez no Fashion Rio, fez um belo desfile inspirado na África. Vestidos longos ou curtos vieram com a cintura marcada por mosaicos de couro. O inverno da estilista, que apostou nos grafismos e formas geométricas, é azul marinho, preto, branco e tem tons terrosos. A também "Nova Estilista" Giulia Borges, capixaba que se estabeleceu no Rio, abriu a tarde apresentando roupas com nervuras, pregas e laços. "A idéia é fazer um inverno tropical, sutilmente aristocrático", disse a estilista, que inspirou-se em Londres.  A Apoena também foi à Europa buscar o tema de seu desfile: os "lenços dos namorados" entregue pelas portuguesas aos amados que saiam para lutar em guerras. Kátia Ferreira aproveitou elementos desses lenços - ponto de cruz, patchwork, e até a escrita das namoradas - e os transportou para o tecido, com a ajuda de cooperativas de bordadeiras de Brasília. Nos vestidos, saias, coletes apareceram pontos de cruz gigantes, muitos laços, bordados. A apresentação foi bastante prestigiada: na primeira fila, as atrizes Mila Moreira, Izabel Filardis, Ângela Vieira, a socialite Vera Loyola aplaudiram as bordadeiras de Brasília.

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