'Girimunho' usa a realidade para criar história de ficção

"Conheço São Paulo. Ainda não fui de avião, mas já fui em sonho. Vi tudo. E achei lindo. Tanta luz", disse em setembro de 2010 a matriarca Bastú, aos 83 anos, em conversa com a reportagem, durante as filmagens de "Girimunho", que entra em cartaz nesta sexta-feira.

AE, Agência Estado

27 de abril de 2012 | 10h12

Pouco mais de um ano depois, há cerca de 20 dias, o filme que ela, ao lado de Maria do Boi, de 85 anos, protagoniza tinha sua pré-estreia no Cinesesc, em São Paulo. Presente na sessão, Bastú finalmente iria não só ver o seu filme na telona, como tinha, finalmente ''vindo para São Paulo de avião''. E continuava achando tudo lindo. "Tanta luz, tanta gente, tanta cor", dizia ela novamente à reportagem, num misto de encantamento e familiaridade de quem já tinha vindo, ainda que em sonho, muitas vezes à cidade.

Bastú, que é ''especialista em ser feliz'' e acredita que um peixe dourado a protege, é este misto de personagem de si mesma e de mulher muito real que dá a "Girimunho" o mistério necessário para que, mais que um documentário ficcionado ou uma ficção documental seja uma história que dialoga com plateias mineiras, paulistas e internacionais. "Há quem diga que o filme é muito regional, que tem este universo de Guimarães Rosa, por exemplo. É fato. Mas também é fato que o interesse que Girimunho tem despertado em plateias de festivais internacionais pelo qual tem passado é também prova de que é uma história universal", comentam os diretores Helvécio Marins e Clarissa Campolina.

O longa, que fez sua pré-estreia mundial no Festival de Veneza, em setembro de 2011, conta a história de Bastú e Maria de uma forma pouco convencional.

"Girimunho" filma a trajetória das duas de forma realista, quase documental, mas faz disso uma ficção. Em linhas gerais, na pequena São Romão, no sertão mineiro, às margens do Rio São Francisco, a narrativa segue o cotidiano de Maria e Bastú. Maria enfrenta o drama de encontrar um herdeiro para as tradições musicais que aprendeu com os pais. Ela vê um mundo em transformação e precisa deixar seu legado. Já Bastú, que acaba de perder o marido Feliciano, um ferreiro respeitado na cidade, precisa dar novo sentido à vida. Ao mesmo tempo, lida com a partida da neta que cuida dela para estudar em outra cidade e escuta o falecido marido fazer barulhos à noite em sua oficina.

Ainda que o tempo do filme tenha sido pautado pelo tempo e pela vida real das personagens, Helvécio e Clarissa fazem questão de ressaltar: "É ficção. Tem curva dramática. Só que trata de pessoas reais, que estão neste limiar da atuação e de serem elas próprias. Foi tudo feito de uma forma muito delicada", explicam. As informações são do Jornal da Tarde.

Girimunho - Direção: Helvécio Marins Jr. e Clarissa Campolina. Gênero: Drama (Brasil/ 2011, 90 min). Classificação: 10 anos.

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