'Girimunho' para abrir o festival Melhores do Ano

Cinesesc exibe os destaques do ano segundo público e críticos

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2012 | 03h10

Já faz parte das tradições de São Paulo - do calendário cultural da cidade. Em abril, o Cinesesc realiza seu festival melhores do ano, com filmes escolhidos pelos críticos e pelo público. Ambos são chamados a votar, escolhendo os melhores filmes nacionais e estrangeiros, e também destacando categorias como melhor ator, atriz e diretor. E, todo ano, um filme brasileiro inédito é escolhido para a abertura. Essa escolha tem se revelado difícil, não porque faltem bons filmes, mas porque o evento tem itinerado - atinge 16 cidades - e são necessárias várias cópias. A pré-estreia do 38.º festival, hoje, é Girimunho.

O longa de Helvécio Marins Jr. e Clarissa Campolina é uma coprodução com Alemanha e Espanha. Participou da seleção do Festival de Veneza do ano passado, na seção Horizontes, e venceu o Festival de Nantes. Num debate realizado no Rio, Marins Jr. contou que o filme começou a nascer quando ele viajava pelo sertão de Minas e ouviu de um menino a expressão 'girimunho', que quer dizer redemoinho. O girimunho evocou ao diretor o universo de Guimarães Rosa - a prosódia do autor de Grande Sertão: Veredas - e, de uma pesquisa no norte de Minas, começou a nascer a história de dona Bastu, que perde o marido, o ferreiro Feliciano, e tenta recomeçar, buscando nos pequenos sinais do dia a dia (e nas lembranças) a força para ajudá-la nesta passagem.

Ficção nos limites do documentário, Girimunho incorpora elementos da vida de Dona Bastu como de sua amiga batuqueira, que mantém vivos os sons ancestrais da região com seu instrumento, Maria do Boi. É um tipo de cinema muito simples, mas de uma simplicidade buscada, produto de sofisticação e elaboração audiovisual (de som e imagem). Dona Bastu virá para a abertura do Festival Cinesesc? A direção da sala anuncia não uma nem duas, mas quatro surpresas na pré-estreia para convidados desta noite. Por se tratar de surpresa, naturalmente, os felizardos só saberão do que se trata na hora.

Como um todo, o festival oferece ao público a chance (rara) de ver ou rever filmes de qualidade indiscutível, mesmo que você possa preferir um ou outro como 'melhor'. É possível viajar, assim, pelo universo distorcido de Pedro Almodóvar em A Pele Que Habito ou pelo mundo ameaçado de extinção de Lars Von Trier em Melancolia. As deambulações do protagonista de Transeunte, de Eryk Rocha, revelam o interior desse homem como a geografia do centro do Rio; e O Palhaço, de Selton Mello, não deixa de carregar uma homenagem a Paulo José, um dos grandes da história do cinema no País. O festival prossegue até 29, com direito a dois encontros com críticos para debater o cinema nacional. Dia 11, com Rubens Ewald Filho; e dia 18, com Neusa Barbosa e Luiz Zanin Oricchio, às 19h30.

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