Giorgio Armani traz sua grife para SP

Mais um mito da moda mundial rende-se ao poder de consumo da elite brasileira. Giorgio Armani escolheu São Paulo como sede de sua primeira butique na América Latina e oferecerá, em 620 m2, as coleções masculina e feminina da Giorgio Armani, Armani Clássico, Armani Collezioni e toda a linha de acessórios. A loja, instalada onde funcionava a antiga Empório Armani, será aberta amanhã com coquetel estrelado que promete parar a Bela Cintra. As coleções Giorgio Armani são mais sofisticadas em termos de matérias-primas, acabamentos e inovações do que as linhas secundárias, como Emporio Armani ou Armani Jeans. "O Emporio é mais jovem, mais descompromissado. Giorgio é mais sofisticado. Quando Armani cria, cria pensando em Giorgio", explica Patricia Gáia, diretora da Armani no País. Além dela, estão envolvidos na chegada da marca os empresários André Brett e Michelle Nasser. Mago dos costumes, Armani coleciona celebridades entre seus clientes, algumas delas genuinamente nacionais, como o jogador Ronaldo, da Inter de Milão, e a atriz Maria Fernanda Cândido. Cláudia Raia e Edson Celulari também freqüentam a maison Armani em Milão - e agora vão poder comprar aqui o que precisavam ir à Itália buscar. As coleções serão lançadas simultaneamente - o que significa vender verão no inverno, e vice-versa. Para a clientela cinco estrelas da grife, isso não faz a menor diferença, já que são pessoas habituadas a consumir importados e ter armário e clima em confronto permanente. "A coleção de estréia é a de verão. Não podemos deixar de ter na loja aquilo que a cliente vai encontrar no exterior",acredita Patricia. Mundialmente, Giorgio Armani garante a elegância de estrelas como Ricky Martin e Robert De Niro, além de beldades do calibre de Sophia Loren, Michelle Pfeifer e Jodie Foster. A chegada da linha principal da marca ao Brasil atesta a existência de uma parcela de consumidores anônimos tão poderosos quanto qualquer astro internacional. Pelo menos 12 mil clientes - dos 25 mil cadastrados pela grife no País - são potenciais compradores dos luxos absolutos assinados com o nome e sobrenome do criador. É preciso ter um cofrinho ricamente abastecido para poder figurar nessa lista. A peça mais barata da coleção masculina, por exemplo, é uma sunga. Custa R$ 90 - e vale menos do que uma meia ou uma cueca. "As meias são de seda", justifica Patricia. O terno mais acessível da marca não sai por menos de R$ 4.500 - e o pode chegar a R$ 17 mil. "É o preço do costume feito com lã super 200, mas não está disponível para pronta-entrega, é um modelo sob medida", explica. O item mais caro do masculino vira pechincha se comparado ao similar do mesmo padrão no feminino. O campeão de preço na coleção para mulheres é um vestido de noite que alcança inimagináveis R$ 57 mil. O valor de um apê de um dormitório. Uma sandalinha de dedo, só que repleta de cristais Swarovski, custa R$ 1.200. Mas quem pode banca. Giorgio Armani sabe do calibre de seu estilo, tanto que faz uma moda sem concorrência. Não se trata de condição financeira: para comprar um Versace, por exemplo, é preciso tanto dinheiro quanto para adquirir um Armani, mas não há similaridade de imagem, de forma. Armani vende conceito, não roupa. "Quem compra se identifica com ele", diz Patricia, que encara com serenidade o desafio de trabalhar com um criador. "É bem diferente de vender moda, a gente se sente responsável em transimitir o conceito dele", acrescenta. Patricia e o staff da loja - seis vendedores (cinco meninas e um rapaz) e duas gerentes - estiveram em Milão fazendo um treinamento especial com a equipe de Armani. Foram instruídos por Nicola Maimone, do masculino, e Claudia Bianchi, braço direito do estilista no feminino. Mas nem é preciso muitas aulas para descobrir que um Giorgio Armani dispensa apresentações. "O produto se explica por si só." Giorgio Armani - R. Bela Cintra, 2.093, tel.: 3062-2660. Abertura amanhã, às 19h, com coquetel para convidados

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