Gilberto Gil fala de política e música na MTV

O que era para ser uma entrevista sobre música, CD e shows, acabou se transformando em um bate-papo político e social de dar inveja ao Jornal Nacional. A MTV leva ao ar hoje, no Jornal da MTV, à meia-noite, uma entrevista exclusiva que o VJ Edgard fez com o ministro da Cultura, Gilberto Gil. Convidado inicialmente a falar sobre suas novas experimentações musicais, Gil acabou abrindo o jogo sobre questões polêmicas. O ministro falou sobre a criação do Conselho Federal de Jornalismo; sobre o episódio do jornalista Larry Rohter, do New York Times, que disse em reportagem que o presidente Lula bebia demais; e conta como paga as viagens que faz para fora do País, seja como músico, seja como ministro. Sobre a polêmica criação do conselho regulador do jornalismo no País - que tem sido visto por muito como uma volta aos idos da censura -, Gil sugeriu a abertura de um debate nacional sobre o assunto, não só com a presença da classe jornalística, mas com a sociedade em geral. "Sugiro à área governamental que está propondo a criação desse conselho que submeta isso à avaliação geral da sociedade. É preciso saber se há limites a serem impostos, qual é esse campo ético, discutir isso direito", disse o ministro na entrevista. "Eu, particularmente, não acredito na existência de censura em uma república democrática como a nossa." Gil criticou o governo e o jornalista Larry Rohter no caso da matéria do NYT. Na época, o presidente suspendeu o visto do jornalista americano no Brasil por considerar a reportagem ofensiva. "Usaram um erro para corrigir outro erro", avaliou o ministro. Ele também comentou a dificuldade de conciliar a carreira musical com os compromissos ministeriais. "Não consigo mais compor", reclamou Gil. E fez questão de explicar quem paga suas viagens ao exterior, como ministro ou músico. "Sempre que vou viajar com as duas funções procuro fazer a produção do show pagar as minha despesas com a viagem. Foi assim quando fui para Roma, para Dinamarca, vai ser assim com a viagem para o México que farei. É uma gentileza com o cofre público, que é mais apertado."

Agencia Estado,

19 de agosto de 2004 | 10h46

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