Gilberto Gil defende cultura livre nos moldes do software linux

Em turnê pela Europa, Gil diz que "hoje todos temos necessidade de banda larga"

Ansa,

25 de julho de 2007 | 19h54

O ministro da Cultura, Gilberto Gil, que se encontra na Itália para apresentações de sua nova turnê mundial Banda Larga, dedicada às novas tecnologias e ao problema de acessibilidade à propriedade intelectual, declarou nesta quarta, 25, que "a cultura como um todo e a música principalmente devem se tornar livres e compartilháveis assim como o software Linux". Não por acaso, cada concerto da nova turnê é aberto por uma voz que diz: "Pede-se aos senhores espectadores para que filmem e fotografem o show e para que o baixem no site de Gilberto Gil". "Estamos em uma fase de continua evolução. Não se pode pensar em defender o existente. É necessário procurar novos modelos, novas definições de direitos autorais e novos modos de remunerar os artistas", explicou Gil que se apresentara no festival latino-americano de Assago, cidade da província da Lombardia, região norte da Itália. "Não sou eu que digo isso, mas um vasto número de opiniões que aprendi a conhecer sobretudo quando me tornei ministro e comecei a intermediar os pedidos da sociedade civil e as posições oficiais do Governo, sancionador das leis". Para compensar as gravadoras e os artistas pela perda dos direitos autorais, e ao mesmo tempo para evitar que quem baixa bens de propriedade intelectual pela rede venha a ser acusado de crime, Gil já tem em mente um modelo: "Linux é um software livre e aberto, para cujo desenvolvimento contribuem milhões de pessoas em cada parte do mundo. Ninguém paga para o ter, mas podem contribuir para melhorá-lo, tanto que atualmente, nos estúdios de Hollywood, para a realização de efeitos especiais, 70% dos computadores utiliza a plataforma Linux, que são mais confiáveis". Ministro da Contracultura Perguntado se o mercado musical, uma vez desligado da indústria fonográfica e das exigências de lucro, poderá se desenvolver neste caminho, Gil respondeu: "É cedo para dizer, vejo os movimentos atuais, não o futuro, que depende do quanto será intenso o movimento social que surgirá voltado para essas novas possibilidades". Para as novas tecnologias, "necessárias para o desenvolvimento e a mudança", Gil dedicou também sua música Banda Larga, cujo vídeo-clipe foi filmado dentro de sua própria casa, com um telefone celular, pelo cineasta brasileiro Andrucha Waddington (A Casa de Areia), difundido posteriormente pela internet. Na cozinha, entre geladeiras cobertas de imãs e amigos reunidos ao redor de uma mesa, o "Ministro da Contracultura", como definiu recentemente o jornal britânico The Guardian, canta sobre novas tecnologias, internet e YouTube. Uma música que é um verdadeiro manifesto da cultura digital e da informação democrática porque "como antes necessitávamos de ferrovias e estradas, hoje todos temos necessidade de banda larga", concluiu Gil.

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