Gil reconhece falta de políticas para concertos e óperas

A ausência de uma política cultural definida para a música de concerto e a ópera brasileiras foi o tema principal do primeiro debate do I Seminário Osesp de Orquestras Sinfônicas que iniciou nesta sexta-feira e vai até domingo na Sala São Paulo. O ministro da Cultura, Gilberto Gil, reconheceu a falta de políticas específicas para o setor e assinalou a "urgência da criação de diretrizes sistemáticas" para a área."O patrimônio imaterial que é a música precisa de instituições, equipamentos, para existir", disse o ministro. Gil afirmou ainda a importância de uma interferência do Estado neste sentido, impedindo que a vida das orquestras seja "precarizada pelas lógicas de mercado". A declaração do ministro Gilberto Gil, que deixou a Sala São Paulo pouco depois de seu pronunciamento, deu o tom dos debates que se seguiram. Marcelo Lopes, diretor executivo da Osesp, mesmo aceitando a importância do poder público no financiamento à arte, rebateu o ministro."Temos que acabar com esta dependência do paternalismo estatal, desenvolver as orquestras como produtos de alto potencial mercadológico, mostrar ao Estado que vale a pena investir em orquestras, legitimando o gasto que ele têm conosco. Chega de viver como pedinte.Em um primeiro momento, contamos, no caso da Osesp, com a sensibilidade de pessoas ligadas ao governo, que entenderam a importância do projeto. Agora que a orquestra é realidade, a relação é outra e vai se pensar duas vezes antes de mexer com ela, o que causaria enorme prejuízo político." O maestro Jamil Maluf, diretor artístico do Teatro Municipal de São Paulo, afirmou que as orquestras precisam aprender a se organizar, "a andar com os próprios pés". "Ficar pendurado no poder público não ajuda, o dinheiro é cada vez menor", disse o maestro, que anunciou, para o início do ano que vem, o encaminhamento à Câmara Municipal de um projeto que prevê a transformação do Teatro Municipal em uma fundação. "O formato ideal é aquele que obriga o Estado a financiar as atividades mas que protege as instituições de interferências políticas constantes. A cada mudança de governo, por exemplo, muda toda a orientação de um teatro. Um projeto cultural consistente não se faz em quatro anos." Liga das orquestrasUma das idéias levantadas na primeira mesa do seminário realizado pela Fundação Osesp foi a criação de uma liga das orquestras brasileiras. A idéia partiu do maestro John Neschling na abertura dos trabalhos, mas recebeu o apoio dos demais participantes. "Há um hiato entre orquestras, músicos e administradores. Está na hora de acabar com a vaidade, as rivalidades entre maestros, teatros. Essa divisão enfraquece o setor, perdemos nossa força, nossa voz. Precisamos de representatividade para lidar com o poder público." O encontro segue, agora à tarde, com um painel sobre patrocínio privado na música de concerto, encerrando a programação do dia.

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