Gil quer tirar arte contemporânea do gueto

O ministro da Cultura Gilberto Gil lançou ontem, no Pavilhão da Bienal, o Movimento Arte Democracia, que tem por objetivo estimular e fomentar ações que promovam um trabalho de ampliação do público para a arte contemporânea e inclusão de novas camadas da população neste restrito universo cultural. O projeto, que não prevê necessariamente contrapartidas financeiras por parte do Governo Federal, tem como primeiro e único parceiro a Bienal de São Paulo - daí a realização da pomposa cerimônia, com direito a Hino Nacional e a várias autoridades públicas. O objetivo é agregar cada vez mais ações democratizantes, de forma a mudar a cultura nacional em relação à produção artística de ponta. "Não há necessariamente participação em termos práticos. O ministério orienta, instiga, informa, articula instituições públicas e privadas, aproximando-as e contribuindo com eventuais recursos humanos, financeiros e técnicos", explica Gil. "É preciso articular. Temos centenas de ONGs no País que não se falam", diz ele, lembrando que só com mais recursos e maior sinergia entre as várias instituições será possível superar a "fragilidade operacional do sistema cultural brasileiro". Para Gil, esse processo de difusão e inclusão - "a arte se realiza na fruição e não apenas no fazer" - se dá a partir de duas questões básicas: do reconhecimento e valorização dos códigos artísticos nacionais, sejam da esfera culta ou popular, e da facilitação do acesso do público. "O Ministério faz um apelo público para que as instituições tornem gratuitas todas as suas atividades e estimulem o acesso a elas; defende o acesso ao patrimônio simbólico e cultural público e gratuito", concluiu. É exatamente nessa direção que segue uma das medidas de maior impacto proposta pela Bienal, que promete tornar inteiramente grátis o acesso à 26.ª edição do evento, que será inaugurado em setembro. Sem querer falar em números e mostrando-se irritado com as perguntas sobre o orçamento do evento, o presidente da Bienal prometeu que vai obter recursos suficientes para garantir a realização da mostra sem ter de recorrer a receitas oriundas da bilheteria. Essas verbas podem ser de origem pública - emenda orçamentária aprovada na Câmara dos Deputados garantiu uma verba de até R$ 12,5 milhões para a instituição este ano - ou privada. O orçamento geral para a próxima Bienal será de R$ 18 milhões. Formação - Outra iniciativa anunciada ontem pela Bienal de São Paulo, desta vez em parceria com a Prefeitura de São Paulo, Unesco e outros patrocinadores como a Granero, por exemplo, é a formação de auxiliares de montagem. Um grupo de 50 jovens selecionados pelo projeto Bolsa-Emprego receberão 840 horas de formação e vivência profissional, ao longo de seis meses, que envolve desde noções de marcenaria, pintura e embalagem a noções de cidadania e artes. Supervisiona o grupo Clara Perino, experiente profissional do setor. Segundo ela, os alunos estão recebendo R$ 170 por mês para aprender e, durante a Bienal, terão uma remuneração mais alta. Zenaide Rodrigues, de 17 anos, e Vanessa Gomes, de 18, fazem parte do grupo e compareceram com os colegas na cerimônia de divulgação do projeto. Outras iniciativas concretas no âmbito da Bienal são o estabelecimento de parceria entre a instituição e a Fundação Álvares Penteado (FAAP), que envolverá seus alunos no sistema de monitoria oferecido durante a 26.ª Bienal e o lançamento de uma mostra paralela, na Galeria Prestes Maia, destinada aos artistas jovens (até 35 anos), como uma versão brasileira do Aperto, da Bienal de Veneza.

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