Gil quer novo modelo econômico, "culturalizado"

Ao abrir hoje, no Anhembi, em SãoPaulo, as conferências do Fórum Cultural Mundial, o ministroGilberto Gil classificou a luta pela diversidade cultural nomundo como "uma guerra" e previu que a derrota nessa batalhapode significar "um nazismo mundial, uma hegemonia de uma ouduas nações mundiais". "O Brasil talvez não venha a ser uma potência econômica,no sentido clássico do termo. Talvez não venha a ser umapotência militar. Mas pode vir a ser uma potência cultural",afirmou Gil, após discursar na abertura da Convenção Global. Citando o economista Ignacy Sachs,o ministro da Cultura falou hoje em substituição do modelotradicional de crescimento econômico por um novo modelo, o"culturalizado". "Muito se tem falado no Brasil, nos últimos meses, emcrescimento econômico. Faço um alerta: se este crescimento nãoestá orientado para as economias limpas e a distribuição derenda; se aceitamos o império do econômico sobre outrasdimensões, então teremos o que (Ignacy) Sachs chama de ´maudesenvolvimento´: o crescimento com elevado custo ambiental,social e cultural." O discurso pareceu uma crítica velada à própria políticaeconômica do País, conduzida pelo ministro Antonio Palocci, maso secretário-executivo de Gil, Juca Ferreira, ressaltou que Gilentende bem as dificuldades de gerir a economia do Brasil. Seu foco seria a política econômica internacional, naqual se aplica o que Gil denominou "discriminação positiva", emque a tese do livre comércio é maquiada para beneficiar apenasas nações hegemônicas. Para o ministro, o momento é favorável àsalianças, às co-produções, aos programas de cooperação. "O desenvolvimento não é um conceito da economia. Aeconomia é uma dimensão, e também um instrumento dodesenvolvimento, um processo que tem finalidade ética econdicionalidade ambiental", afirmou Gil, em seu discurso.Manifesto do Modelo do Desenvolvimento Culturalizado: Criação de políticas públicas para ampliar o acesso doscidadãos aos direitos culturais, incluindo o fomento à produção,o estímulo à difusão de bens e serviços e a proteção dopatrimônio; Promover espaços culturais diversos, de inclusãocultural e social; Defender a exclusão dos bens e serviços culturais dosacordos da liberalização comercial em curso na OrganizaçãoMundial de Comércio (OMC); Apoiar a Unesco em sua iniciativa de uma ConvençãoInternacional para a Proteção da Diversidade Cultural, previstapara a Conferência Geral de 2005; Contribuir para a criação de um sistema internacionalde troca econômica.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.