Gil propõe museus para carnaval e cultura sertaneja

O ministro da Cultura, Gilberto Gil, defendeu em São Paulo o estímulo à arte que "possa representar a demanda social", como o grafite e o hip hop, e revelou que sugeriu pessoalmente a criação de um Museu da Cultura Sertaneja à Secretaria de Museus de sua gestão, além da instituição de um Museu do Carnaval, projeto que já havia sido acalentado pelo antropólogo Darcy Ribeiro no passado."O carnaval merece. Reúne manifestações que vão da dança às artes plásticas e não é um campo que esteja confinado aos produtores tradicionais de arte. A Unesco deu um exemplo da importância de se destacar essas manifestações ao tombar a arte dos índios wãipis, do Amazonas, que é uma arte que não tem um sentido utilitário, mas celebracional", afirmou o ministro, anteontem à noite. "A arte ligeira e a arte rápida podem atuar no desenvolvimento de talentos. Você vai a Zurique e vê uma cidade inteiramente pintada, bela. Os jovens têm ali um canal de expressão. Imagine no Brasil, que tem um grau extraordinário de criatividade popular."Questionado sobre se a criação de novos museus não pode acontecer em detrimento de problemas mais agudos do setor, como a aquisição de novas obras para os acervos, Gil discordou. "Não acho que seja demasiada ênfase (nos novos museus). As duas coisas podem ser enfrentadas ao mesmo tempo. Os museus podem abranger universos novos. E o cultivo da arte plástica está restrito ainda a certos extratos da elite. Por razões óbvias, as classes populares estão alheias a esse segmento. A qualificação da arte popular, do mural, do grafite, é uma coisa à qual o poder público deve estar atento."O Ministério da Cultura está prestes a enviar também a defesa do tombamento do samba brasileiro à Unesco. O processo está sendo finalizado pelo Iphan. Gil esteve em São Paulo para o lançamento do Prêmio CNI Sesi Marcantonio Vilaça de artes plásticas, que pretende estimular o surgimento de novos artistas com cinco bolsas de trabalho de R$ 30 mil cada um. O encontro foi marcado pela emoção do depoimento do pai do galerista Marcantonio Vilaça (1962-2000), o escritor Marco Vilaça, que disse: "Um morto amado nunca pára de morrer."

Agencia Estado,

22 de abril de 2004 | 11h26

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