Gil propõe "base de provocação" para discutir verbas

O ministro da Cultura, Gilberto Gil, anunciou ontem à noite a realização, no decorrer dos próximos 45 dias, de um seminário sobre o financiamento público da Cultura e as leis de incentivo que estão em vigor no País. Serão convidados investidores púbicos e privados, artistas e produtores. Gil justificou a decisão de tornar o debate público argumentando que o ministério não poderia decidir "num ato de voluntarismo primarista", o que deve ou não mudar nessa área. "A discussão tem de ser aberta, colocada na sociedade", disse.O ministro citou como pontos negativos na atual distribuição de financiamento público - além da escassez de recursos - a centralização dos beneficiários no Rio de Janeiro e São Paulo e os critérios adotados na seleção dos projetos selecionados. Outro ponto, destacou, é a omissão de incentivos na cultura popular, na preservação do patrimônio público e em outros setores ainda não assimilados pela mídia."A intenção do seminário é a de criar uma base de provocação que acabe com as queixas dos produtores e estimulem novos investidores culturais, tanto na área privada como pública", explicou. Ele informou que, ao mesmo tempo, o ministério vai trabalhar para mapear qual é a produção cultural do País. Na sua avaliação, os dados existentes hoje estão dispersos e não explicitam qual é a situação da oferta cultural. Os debates serão realizados em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre, Belém e Salvador. O primeiro encontro está previsto para segunda-feira, no Centro Cultural do Banco do Brasil, em Brasília.

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