Gil lê cordel que chama Hélio Costa de boçal

Convidado a dar uma aula inaugural na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o ministro da Cultura, Gilberto Gil, leu nesta quarta-feira um cordel desancando o processo de escolha do padrão da TV digital. O texto, de autoria de uma jornalista pernambucana, diz que o governo federal está "muito mal representado" na discussão, pois o ministro Hélio Costa é um "empresário boçal", que "só aposta no monopólio privado" e, "com uma conversa de bosta, só quer saber da imagem e do que traz de vantagem". O ministro leu da primeira à última palavra do extenso poema.Ao saber do ocorrido, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, revidou duramente. ?Só lamento a deselegância do ministro. Não é à toa que alguns amigos dele o chamam de Gilberto Vil?, disse Costa. ?Eu entendo agora a razão deles (amigos de Gil). Porque, para um ministro de Estado, sem me dar conhecimento, fazer uma agressão como essa...? Segundo ele, o ministro da Cultura deveria ter lido o cordel nas reuniões sobre TV digital no Palácio do Planalto, na frente da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. ?Queria ver se ele conseguiria dizer ?bosta? na frente da ministra Dilma.?Ao falar sobre a importância da democratização das novas tecnologias e da diversificação das fontes de conteúdo, Gil abordou o tema da TV digital. Depois de ressaltar as vantagens e muitas possibilidades, falou sobre a necessidade de regulamentação do projeto. Foi aí que contou ter recebido um cordel da pernambucana Luciana Rebelo, e disse que gostaria de ler alguns trechos. ?Gostaria de ler para vocês sentirem como essa discussão chega, como é que todos nós estamos necessariamente interessados nessa nova tecnologia, o desdobramento que ela pode ter para nós?, disse Gil, que leu as 20 estrofes.Crítica aberta ao governoO cordel defende a criação de um modelo brasileiro. Costa tem manifestado preferência pelo padrão japonês, em detrimento do europeu e do americano.Depois de ler os trechos que censuram a forma como governo e o ministro (?O tal ministro citado, que se chama Hélio Costa, de fato somente aposta no monopólio privado, neste empresariado que recebeu concessão de rádio e televisão e quer se perpetuar o único a mandar na nossa programação?) vêm debatendo a questão, Gil fez uma pausa e comentou: ?Você vê a crítica aberta ao governo, ao ministro e tal?. A platéia que lotou o auditório do Fórum de Ciência e Cultura da Escola de Comunicação, na Praia Vermelha, riu quando Gil declamou o trecho que diz que Costa tem uma ?conversa de bosta? e outro que fala sobre ?um modelo de cocô lá dos Estados Unidos?, que vem sendo testado para rádios digitais. Gil informou o endereço eletrônico de Luciana duas vezes.?A Luciana Rabelo está vocalizando, vociferando mesmo?, concluiu, destacando a importância de ?mais democratização, mais espaço, mais acesso? das novas tecnologias. O Estado tentou localizar a jornalista por e-mail, mas não recebeu resposta. Questionado por um estudante sobre o papel que o Ministério da Cultura desempenha na discussão, Gil respondeu que sua pasta faz parte de um grupo interministerial criado para decidir os rumos da TV digital. Nos últimos meses, afirmou o ministro, o governo chamou para si o processo de escolha do padrão, que vinha sendo discutido ?de forma pulverizada?. ?O governo está discutindo com mais propriedade do que vinha discutindo, ou não vinha discutindo, até três meses atrás?, disse.Leia a íntegra do cordelBrasileiros atenção pro que está acontecendo! O País está vivendo momento de decisão. A nossa televisão tá prestes a ser mudada, e pode ser melhorada se o povo se unir e agindo exigir TV democratizada. Eu vou tentar explicar! O Brasil tem que escolher qual modelo de TV deverá ele implantar para digitalizar a forma de transmissão em nossa televisão. Se escolhermos direito será o passo perfeito pra democratização. É importante saber que é pública a concessão de rádio e televisão. E se é assim por que só tá na mão de um poder e não nos braços do povo? Mas pra nós sobra o estorvo de não poder se escutar, de não poder se mostrar porque eles cortam o novo. Com a TV digital, em um mesmo equipamento, haverá recebimento de um tal multicanal, pois em um mesmo sinal caberá quatro canais que abertos e plurais serão meios de expressão, meios de transformação, das misérias sociais. Quem internet não tem, nem sabe o que é e-mail, desfrutará desse meio e outras coisas também, pois a tal TV contém tudo isso reunido, bastando ser escolhido o modelo ideal pra inclusão social do nosso povo oprimido. É a chance da maioria poder usar sua voz. É o momento de nós na mídia fazer poesia, resgatar cidadania, ecoar nossos anseios gritar nossos aperreios pro mundo todo escutar e podermos transmutar esses gritos em gorjeio. Produção independente ganhará devido espaço e dará o grande passo de enfim plantar semente de uma programação decente, bem mais regionalizada, bem mais diversificada, difusora de culturas, livre de qualquer censura a nada mais amarrada. Mas essa realidade tão sonhada por a gente depende do presidente reagir com mais verdade. E nós, a sociedade, entrar nessa discussão. Que é nossa a televisão! O ar, as ondas, a terra! E só o que nos emperra é tanta concentração. O Governo Federal, muito mal representado, tem Ministro de Estado teu empresário boçal. E a TV digital importante instrumento para o desenvolvimento corre o risco de ficar como sempre teve e tá nas mãos de um poder nojento. O tal ministro citado, que se chama Hélio Costa, de fato somente aposta no monopólio privado, neste empresariado que recebeu concessão de rádio e televisão e quer se perpetuar o único a mandar na nossa programação. Três modelos são usados em países estrangeiros. Falta agora o brasileiro que já vem sendo estudado, mas não é incentivado pelo ministro Hélio Costa que com uma conversa bosta "só que saber da imagem" e do que traz de vantagem o comércio de resposta. Hélio já quer escolher o modelo do Japão. E nós, a população, queremos compreender por que não desenvolver um modelo brasileiro e trocar com o estrangeiro a nossa experiência? É preciso paciência não pode ser tão ligeiro. Nossa tecnologia poderá desenvolver um modelo de TV que nos dê soberania, impulsione a economia pra benefício geral e a política industrial tomará um novo impulso, mas é preciso ter pulso pro sonho virar real E a nossa rádio querida um meio tão genial? Também vai ser digital, mas já tá sendo ferida por decisão desmedida que em teste colocou um modelo de cocô lá dos Estados Unidos que precisa ser banido extirpado com ardor. O tal modelo testado pelas grandes emissoras parece uma vassoura varrendo o nosso prado querendo-nos afastados do espectro radiofônico, do nosso poder biônico, de transportar nosso tom aos ares e a Poseidon, num ato lírico sônico. Nossa comunicação tá é toda atrapalhada as leis já não valem nada, é grande a concentração. Os meios de produção, são os mesmos que transmitem, só o que os donos permitem já que muito é censurado e a gente fica obrigado A receber o que emitem Eles querem capital, nada mais lhes interessa, e vêm com uma conversa de que querem o bem geral. Mas só o comercial de fato os movimenta, e a gente não mais agüenta tão grande desigualdade, tão louca sociedade, que tanto nos atormenta. A discussão é política, técnica e social e nos é fundamental uma visão mais holística, pois não é só estatística é cultura, educação e nossa legislação tem que ser remodelada pra ficar mais adequada à nova situação. É hora de acordar pois a comunicação é troca, é interação. Não dá mais para ficar da forma como está nas mãos de uma minoria que defende a hegemonia de cruéis monstros Globais que se mantêm voraz roubando nossa fatia. Gente, comunicação é um direito humano! Não é somente um cano de passar informação. É forma de comunhão, forma de sobrevivência, de expressar nossa essência, de viver com liberdade, com mais naturalidade e também mais consciência.

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