Gil inaugura novo depósito do acervo da Casa de Rui Barbosa

A inauguração do novo depósito do acervo da Fundação Casa de Rui Barbosa, na tarde desta sexta-feira, pelo ministro da Cultura Gilberto Gil, facilitará o acesso dos pesquisadores a um dos principais acervos da literatura e das ciências sociais brasileiras. Além de guardar e preservar dentro de técnicas modernas os 200 mil livros e os arquivos de 80 escritores (entre eles Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Manuel Bandeira e Fernando Sabino, a aquisição mais recente), o acervo abrirá ao público a partir de segunda, mediante agendamento. Cartas, manuscritos, primeiras edições ou provas de livros estarão à disposição dos pesquisadores. Em breve, a consulta poderá ser feita também pela internet."Não pretendemos digitalizar tudo de imediato, mas de acordo com as solicitações", diz o diretor da Casa, José Almino. "Somos híbridos, pois não temos função específica como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Fundação Palmares ou a Biblioteca Nacional, mas fazemos o elo entre a comunidade acadêmica e o público interessado na preservação da nossa memória e ainda funcionamos como o braço intelectual do Ministério da Cultura", explica.O depósito fica no subsolo do anexo da sede instituição, construído em 1978. "De lá para cá, o acervo cresceu com doações e aquisições como a biblioteca de Plínio Doyle. Era fundamental modernizá-lo para preservar as obras e atender ao público - desde pesquisadores acadêmicos a curiosos sobre a obra de Rui Barbosa, seus contemporâneos ou dos escritores cujos acervos estão no Arquivo Museu da Literatura Brasileira", afirma Ana Pessoa, responsável pelo setor. O total de R$ 1,6 milhão investido na obra vieram do orçamento do MinC ou de emendas parlamentares. Almino evitou usar leis de incentivo à cultura. "Cuidar da memória é dever do Estado e queria provar que era possível fazer isso com recursos do governo", comenta o diretor."Agora temos de expandir a atuação da casa, dando assessoria às famílias e instituições privadas para cuidarem dos acervos de intelectuais e escritores. Foi assim com o Instituto Tom Jobim e também com os arquivos de Érico Veríssimo, que ainda pertencem a sua viúva, Mafalda, mas estão com a PUC de Porto Alegre." A casa continuará recebendo acervos de escritores, mas criará uma norma para guardá-los. "Até aqui, predominava uma certa informalidade, pois não há uma regra para a reprodução, a responsabilidade ou a questão dos direitos autorais desses documentos", lembra Almino. "Continuamos interessados em novos arquivos, até porque agora o acesso a eles e a preservação foi racionalizada."

Agencia Estado,

11 de agosto de 2006 | 10h43

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.