Gil inaugura Museu da Maré em favela no Rio

O Ministério da Cultura espera que o Museu da Maré, inaugurado hoje pelo ministro Gilberto Gil, atraia visitantes de toda a cidade, e não apenas das dezesseis comunidades do complexo. Trata-se do primeiro museu instalado numa favela brasileira, em que se conta e se valoriza a história da ocupação da área por seus moradores. "Isso aqui também faz parte da cidade do Rio de Janeiro. A população tem curiosidade de saber como as favelas se formaram", disse o diretor do departamento de museus do Minc, José do Nascimento Junior. "Apresentamos o projeto em Portugal e houve muita gente interessada em vir conhecer." Ele não acredita que o medo da violência seja um empecilho. O museu fica numa das entradas da Maré, bem perto da Avenida Brasil. O Minc investiu R$ 150 mil no espaço, que tem fotos e objetos que fizeram parte da trajetória dos pioneiros da Maré, até os dias atuais. O projeto faz parte do programa Pontos de Cultura, que tem como objetivo estimular a criação de empreendimentos culturais em comunidades de todo o Brasil. Não há planos para criar museus em outras favelas, mas há previsão de novas instalações em comunidades indígenas e em municípios do Nordeste. Moradores antigos se emocionaram com a inauguração. "Nunca imaginei que chegaríamos tão longe", disse Atanásio Amorim, de 75 anos, morador da Baixa do Sapateiro há 54 anos. "Quando cheguei aqui, não tinha nada, nem escola. Progredimos muito." A cerimônia contou com apresentações de artistas da Maré, que jogaram capoeira e cantaram hip hop. O ministro da Cultura também se entusiasmou e improvisou uma música, em ritmo de capoeira. Gil lançou a Semana Nacional de Museus de 2006. Mil e duzentos eventos especiais foram organizados em mais de 420 museus do País, com o objetivo de atrair os jovens.

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