Gil aposta na criatividade para desenvolver setor da moda

Os italianos têm design, os franceses têm marca, os americanos têm mercado, os chineses, preço. E nós, temos o quê? "O Brasil ainda não tem uma posição de prateleira definida. Temos várias possibilidades, como valorizar nossa diversidade cultural, mestiçagem, culto ao corpo, nossa maneira própria de caracterizar o que é se vestir", respondeu o ministro da Cultura Gilberto Gil à pergunta da consultora de moda Glória Kalil, organizadora do Fashion Marketing.Em sua segunda edição, o evento encerrado na quinta-feira, 19, discutiu temas como a criação, a venda da moda num mundo globalizado e competitivo; como enfrentar a concorrência massiva de gigantes como a China e a Índia; e, por fim, a identidade da moda brasileira. Foi exatamente neste último painel que esteve presente o ministro Gil, ao lado de Paulo Borges, criador e diretor da Fashion Week, e José Miguel Wisnik (professor de literatura brasileira na USP).Em um time heterogêneo, Borges defendeu a necessidade de planejar a moda nacional. "Moda é negócio. Tem de causar desejo. Mas é preciso qualidade e o Brasil é muito jovem e não está acostumado a fazer planejamento."Wisnik deu preciosa contribuição onírica a uma discussão pautada, também sabiamente, pelas questões de negócio. "Esta identidade passa pela inserção simbólica do Brasil no mundo. Nós dominamos a tecnologia de ponta do ócio, temos a alegria da informalidade. Temos de explorar algo que não está codificado, a nossa inteligência do corpo, nossa imensa potência de brincar."Gil concordou e disse: "Nossa diversidade cultural é nosso maior patrimônio. Acho que devíamos aprender a dialogar mais com nossa regionalidade. Prestar atenção, por exemplo, na moda que é feita pelo povo e para o povo. Ainda temos muito preconceito, como se a moda não fosse algo popular. Mire-se no exemplo da Feira de Caruaru, um mercado que se renova, que se sustenta e que reaproveita matéria-prima que não é usada por outros produtores."Gil declarou ainda que o MinC tem todo interesse em contribuir com a sedimentação econômica e o crescimento do setor de moda e têxtil brasileiro. "Até pouco tempo, este tema nem era discutido. Hoje estamos promovendo não só as ações de investimento e financiamento como de reaproximação cultural entre o governo e os produtores de moda do Brasil."

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