GIGANTES DECIDIDOS A PLUGAR TUDO

Violino, violoncelo, bateria, teclados, guitarra e voz. Esses equipamentos seriam dos mais corriqueiros do mundo se estivéssemos falando de uma banda de rock. E se quem botou tudo isso no palco foi um dos principais DJs e produtores de tecno da atualidade da Alemanha? Sinal dos tempos?

O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2012 | 03h11

O artista em questão é Sascha Ring, ou simplesmente Apparat, nome que assumiu desde que lançou seu primeiro disco, Multifunktionsebene, em 2001. Como cofundador do selo Shitkatapult, Apparat se consolidou como um dos nomes mais influentes da música eletrônica alemã de 15 anos para cá. "Quando começamos, podíamos fazer uma apresentação para um clube lotado usando apenas duas ou três baterias eletrônicas", conta Apparat, em uma entrevista em seu site oficial.

Agora a coisa é bem diferente. Com sua banda completa, Apparat continua se apresentando em festivais importantes de música eletrônica, porém seu som agora está muito mais para a melancolia de um Radiohead do que para a pista de dança. Esse novo som já ganhou registro em disco, Devil's Walk, lançado em 2011 pelo selo independente inglês Mute.

Outro gigante da música eletrônica que plugou instrumentos em seu setup foi o dinamarquês Trentemoller. Com dois álbuns lançados, hits nas pistas de dança (como a estourada Moan) e centenas de remixes para artistas de peso (M83, Röyksopp, Depeche Mode, Franz Ferdinand, etc.), Anders Trentemoller resolveu formar uma banda para acompanha-lo pela primeira vez em 2008.

A turnê Trentemøller Live in Concert passou por festivais gigantes, como o inglês Glastonbury, o alemão Melt! e o dinamarquês Roskilde. No palco, com banda, as músicas ganham interpretações mais explosivas, com direito a vocalista, gaita, guitarra, bateria e, no centro de tudo, o próprio Trentmoller no teclado.

Do Canadá, o produtor de tecno Guillaume Coutu Dumont, mais conhecido por seus trabalhos como parte dos projetos Chic Miniature e Egg, também montou sua própria big band. Suas apresentações com a banda Guillaume & the Coutu Dumonts estão entre as mais elogiadas do último verão europeu e norte-americano. A banda fez um dos shows mais lotados do festival Mutek deste ano.

No Brasil, o DJ Marky, um dos mais importantes nomes da música eletrônica nacional, se colocou à frente de duas bandas completas para regê-las como se fosse um maestro. A apresentação única aconteceu em agosto no Cine Joia, em São Paulo, e foi bancada por uma marca de energéticos. Ao vivo, Marky 'regeu' a intensidade com que cada músico no palco tocava seu instrumento e, sinalizando com as mãos como um maestro, os conduziu nos momentos de mixagem, como se cada banda fosse um disco.

Ao longo de quase duas horas de show, Marky e as duas bandas executaram clássicos da música eletrônica, como Block Rockin Beats (1997), do Chemical Brothers, Unfinished Sympathy (1991), do Massive Attack, e Rose Rouge, do Saint Germain, esta última com vocais do próprio DJ Marky. Será que agora a cabine do DJ vai começar a ficar pequena para tantos instrumentos? / C.A.

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