"Gianni": a beleza põe a mesa

Beleza também põe a mesa, como prova o novo e transado Gianni, onde modelos bonitas, bem vestidas e, ainda por cima, simpáticas, recepcionam os clientes, passeiam entre as mesas e ajudam no serviço. Sem dúvida, um grande tempero, um reforço considerável para a cozinha do chefe argentino Max Murray.Toda essa concentração de beleza tem uma explicação: a agência de modelos Mega fica no mesmo prédio. Enquanto esperam a fama, as contratadas aproveitam para fazer um trabalho extra no Gianni, por cujo salão é preciso passar para chegar à agência. Um dos sócios, David Coury, tem experiência no ramo, pois é um dos proprietários da rede Almanara. O outro é o piloto Pedro Paulo Diniz. Eles confiaram a gerência da casa a Thais Santoro, que está retornando dos Estados Unidos, onde estudou hotelaria em Boston.A cozinha é comandada pelo argentino Max Murray, que abandonou a faculdade de Medicina para se dedicar à cozinha, andou estudando e trabalhando pelos Estados Unidos, México, Espanha, Uruguai e, naturalmente, Argentina. No Brasil, foi proprietário do bufê Via Brazil, do restaurante Emma e chefe do Riso, no Itaim Bibi.O restaurante, que fica num moderno pavilhão envidraçado, é bonito, espaçoso e muito gostoso. No centro do salão, uma mesa alta, como se fosse um bar com banquetas, quase divide o restaurante em dois ambientes. Num deles, mais formal, para o lado de uma parede com lindas fotos de modelos, mesas com cadeiras estofadas. No outro, mais perto das vidraças, cadeiras de palhinha, muitas folhagens e um gostoso bar com várias banquetas. Ao todo, 23 mesas, de vários tamanhos. Ao fundo, belo móvel antigo com frutas e legumes num arranjo de bom gosto. Estrutura aparente de aço, dutos do ar condicionado visíveis, muita madeira e uma abóboda no teto que deixa passar um pouco de luz.O cardápio reflete um pouco a carreira do cozinheiro, que procurou inspiração em várias culturas para fazer os pratos, descritos em português e italiano. Nele, oito saladas e entradas (entre R$ 16 e R$ 22); nove risotos e massas (entre R$ 23,50 e R$ 26); oito carnes e frangos (entre R$ 25 e R$ 31); seis peixes e frutos do mar (entre R$ 8,50 e R$ 35,50), além das sobremesas.Os pratos de Max Murray são bem apresentados, mas faltou um pouco de tempero em vários deles. De um modo geral, gostosos, mas não entusiasmantes. Os risotos acabaram se destacando. Muito bom o de presunto de Parma com champignon shiitake. Arroz al dente e bastante sabor. A casa informa que ele é um dos preferidos da clientela. Bom ainda, mas sem tanto brilho, o de tomate seco, brie e rúcula.Também dentro das expectativas o ravióli recheado com mussarela, com molho de tomate fresco e manjericão. Meio sem gosto o ravioloni com queijo brie, manteiga derretida e pinole (pequenos pinhões típicos do Mediterrâneo). Entre os pratos principais, muito bons os camarões (durinhos, saborosos) num molho gostoso, feito com vodka, champignons e páprica picante e servido com um delicioso risoto com o mesmo molho.Faltou um pouco de sal à picata de frango com um molho branco e limão, servido com arroz selvagem, e também à costeleta de vitela à milanesa. Em compensação, muito bom o risoto tradicional, com açafrão e parmesão, que acompanhou a vitela. Atraentes e interessantes os medalhões servidos com palmito pupunha desfiado, reduzido a tirinhas bem finas, e batatas laminadas com creme de leite e gratinadas. Uma pena que os medalhões tenham vindo passados demais.Serviço eficiente e muito bonito. Carta de vinhos bem razoável. Apenas vinhos de uma importadora, o que não é bom, mas com alguns bons exemplares. Taças corretas. O chope não estava gelado no dia da visita.Gianni: Rua Franz Schubert, 184. Tel: 3816-4505

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