Gianecchini ri de sua trajetória em nova novela da 7

Com Reynaldo Gianecchini é tudo ou nada. Se é para se expor, ele aceita subir ao palco sob a direção de Gerald Thomas e falar do ator como presa fácil da mídia, no recente O Príncipe de Copacabana. Em novelas, ele não pensa duas vezes na hora de tascar beijos nada técnicos. "Beijo é beijo: tem que ser para valer", afirma Gianecchini, de 28 anos, 1,86m e 82 quilos.Depois do assédio sofrido no ano passado, aliado a muitos boatos pondo em xeque seu casamento com a apresentadora Marília Gabriela, o ator relaxou. Anda menos receoso de perguntas indiscretas durante as entrevistas e mais distante do sotaque de Birigüi, interior de São Paulo, que aflorava nas cenas dramáticas do sempre compreensivo Edu na novela Laços de Família.Cabelos compridos e desalinhados, ele tenta fugir do modelo mocinho-bem-comportado em que foi enquadrado depois da novela: "Não quero ser galã a vida toda: quero ser reconhecido como ator". Para isso, nada melhor que uma entrega total nas cenas de sua primeira comédia na TV, As Filhas da Mãe, nova novela das sete da Globo, que estréia dia 27. E, lógico, muitos beijos ardentes, que despertam a fantasia das telespectadoras.Determinação é a palavra. Tanto para o ator quanto para o personagem. O Ricardo Brandão, playboy que leva a vida como modelo e se transforma em candidato a ator , que Gianecchini interpreta em As Filhas da Mãe, se entregará a uma paixão polêmica. Ele se envolve com Dagmar (Cláudia Jimenez), uma mulher tão sonhadora quanto batalhadora que finge ser homem só para conseguir um papel num seriado cômico. "Ricardo é um cara acostumado a ter muitas mulheres, vem de uma família de garanhões. Ele, o pai, Arthur (Raul Cortez), e o irmão, Leonardo (Alexandre Borges), não deixam passar uma... Só que Ricardo é o mais sensível dos três. Imagina como não fica a cabeça dele ao conhecer Dagmar, sem sequer imaginar que ela é mulher... Meu personagem começa a se questionar se gosta de homem e o que deve fazer a partir daí. Mas tudo de uma forma muito leve", garante o ator, acrescentando que a dúvida dura pouco tempo, já que a apaixonadíssima Dagmar não demorará a se revelar.Cara à tapa - Ao descobrir o verdadeiro sexo da amada, ele tem de aturar o falatório da família e dos amigos. Tudo porque a moça é pobre e está fora dos padrões de beleza que a sociedade impõe. "Ele nem quer saber disso, teve as mulheres mais lindas do mundo e não se apaixonou de verdade por nenhuma. Ricardo procura uma pessoa especial e a encontra na personagem da Cláudia. Ele busca alguém que tenha conteúdo."Bem, a essa altura algumas comparações podem ser feitas: modelo que vira ator e pode ter todas as mulheres do mundo, mas busca uma que tenha conteúdo... Parece a história do próprio Gianecchini. "Em cada personagem o Silvio (de Abreu, autor da novela) colocou um pouco da trajetória do ator que o representa. Vou poder brincar com a minha história. Não mostrá-la, mas tirar sarro da minha própria situação", diverte-se o ator, lembrando que por ter trabalhado como modelo durante oito anos não precisou fazer laboratório para viver o Ricardo Brandão. "Mas comédia tem um timing totalmente diferente do drama, que fiz antes. Fiquei mais à vontade depois da conversa que tive com o Silvio, que me pediu que acreditasse nas situações para fazê-las sérias, já que meu personagem não é cômico, mas um cara que se envolve em histórias hilariantes." O ator diz que adquiriu no teatro esta leveza que está podendo usar na novela das sete. "O teatro me deixou mais solto", afirma. Na verdade, Gianecchini passou de adolescente tímido a adulto sério, compenetrado: queria ser diplomata e chegou a cursar Direito. "Sempre gostei de teatro, mas o universo do ator estava muito distante para mim. O que eu queria mesmo era viajar o mundo inteiro, adquirir cultura, ter uma boa cabeça. Só depois retomei o sonho de ser ator".Embora tenha lido e ouvido várias críticas à sua estréia em Laços de Família, ele não se abalou: "Da forma como eu vim, do nada para uma novela das oito, pensei que as pessoas fossem mais complacentes com meu trabalho. Eu fui errar na frente de todo o mundo! Mas quando a gente dá a cara à tapa tem que aprender a lidar com a crítica, senão desiste da profissão."

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