Marcos D'Paula/AE
Marcos D'Paula/AE

Geraldo Cavalcanti é eleito para lugar de Mindlin na ABL

Nascido no Recife, o diplomata Geraldo Holanda Cavalcanti tem 81 anos, é poeta e ficcionista

02 de junho de 2010 | 18h41

Roberta Pennafort - O Estado de S. Paulo

 

RIO - O diplomata e escritor Geraldo Holanda Cavalcanti foi eleito na tarde desta quarta, 2, o novo ocupante da cadeira 29 da Academia Brasileira de Letras. Ele recebeu 20 votos dos 38 válidos - 24 acadêmicos votaram presencialmente, 14 por carta e um votou em branco.

 

Cavalcanti derrotou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Eros Grau, o diretor da Biblioteca Nacional, Muniz Sodré, e o compositor Martinho da Vila. O primeiro teve 10 votos, o segundo, oito, e o terceiro, nenhum. "Estou muito feliz. Esse é um momento importante na vida de um escritor. Sempre procurei valorizar a língua portuguesa e agora me sentia no direito de me candidatar", disse Holanda Cavalcanti, pouco depois do resultado ser anunciado e em meio aos preparativos para a festa de comemoração.

 

O primeiro a se sentar na cadeira 29 foi o teatrólogo Artur Azevedo, quando a ABL foi criada, em 1897. O último ocupante fora o bibliófilo José Mindlin, que morreu, aos 95 anos, em fevereiro. Desde então começou a especulação com relação à sucessão. Enquanto Holanda Cavalcanti fez campanha discreta e Martinho praticamente não se manifestou, Eros Grau e Muniz Sodré se empenharam bastante na tentativa de serem eleitos.

 

O embaixador já era dado como preferido dos acadêmicos assim que a cadeira foi declarada vaga, mas nunca deu declarações comentando o favoritismo. Ontem, um dos que mais comemoraram foi Eduardo Portella, seu amigo desde a adolescência. "Ele sempre foi de grande fidelidade. Nós nos conhecemos na faculdade de direito. Eu editei seu primeiro livro", disse Portella.

 

A escritora Ana Maria Machado, secretária-geral da ABL e presidente interina (o presidente Marcus Vilaça está de licença médica), classificou o diplomata como "um intelectual de primeira de ordem". Ela disse não estranhar o fato do sambista Martinho da Vila não ter recebido nem um voto sequer. "Ele decidiu não fazer campanha". Marinho já havia anunciado que não tentaria mais entrar na ABL.

 

Holanda Cavalcanti nasceu em Recife e tem 81 anos. Formado em Direito, é poeta e ficcionista e foi premiado por suas traduções de autores italianos do século 20, além de obras em espanhol. Diplomata por mais de 40 anos, serviu nas Américas e na Europa, tendo sido embaixador no México, na Unesco e na União Europeia. Quatro anos atrás, recebeu o Prêmio de Tradução da ABL. O diplomata era amigo de acadêmicos como Guimarães Rosa e José Guilherme Merquior, além do poeta João Cabral de Mello Neto, que o estimularam a publicar seus escritos. O primeiro livro, "O Mandiocal de Verdes Mãos", saiu em 1964. Ele mora no Rio e recebeu a notícia de sua vitória em casa. A posse só será realizada dentro de alguns meses. Holanda Cavalcanti já havia tentado uma vaga na ABL "há três ou quatro anos", contou ontem, mas ele preferiu abrir mão da candidatura quando soube que "alguns amigos" também estavam concorrendo.

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