Gerald Thomas recusa pena alternativa

Negando ter cometido crime de ato obsceno, Gerald Thomas recusou ontem em audiência no 2º Juizado Especial Cível uma transação penal proposta pelo Ministério Público, pela qual desembolsaria cinco salários mínimos em favor de uma instituição beneficente. "Não aceito porque não cometi um fato criminoso", disse, segundo o site do Tribunal de Justiça do Rio.Gerald foi convocado por ter abaixado a calça e mostrado a bunda à platéia do Teatro Municipal, onde foi vaiado ao final de sua versão da ópera Tristão e Isolda, de Wagner. À Justiça, explicou que não fez nada além de ofender aqueles que o haviam ofendido e que, ainda asssim, já pediu desculpas. De acordo com ele, uma grande hipocrisia cerca a polêmica, desde que nudez explícita é recorrente em muitas peças.Para Gerald, que disse contar com o apoio do ministro da Cultura Gilberto Gil, uma eventual condenação abriria precedentes perigosos que poderiam intimidar outros artistas. "Não é possível condenar um artista. Isto é uma catástrofe. Eu não posso ser censurado num governo que não é de ditadura", disse, ainda conforme o tribunal fluminense.O juiz Antônio Nascimento Amado comentou que, por se tratar de uma questão de princípios, não é mesmo recomendável aceitar a pena antecipada. "Se nós temos nossos princípios devemos lutar por eles. Confie na Justiça, confie no Ministério Público", aconselhou o juiz. Uma vez recusada a proposta de transação penal, o processo segue para o Ministério Público, que decidirá se oferece a denúncia ou pede o arquivamento do caso.

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