Gerald Thomas desiste de dirigir "Os Lusíadas"

O diretor Gerald Thomas disse hoje que suspendeu "qualquer tipo de decisão" a respeito do projeto de dirigir o espetáculo Os Lusíadas, que será produzido por Ruth Escobar em novembro, na Estação Júlio Prestes, em São Paulo. Thomas disse que tem contrato com o Sesc Rio até dezembro e não pensa, de maneira alguma, assumir outro compromisso cênico até lá. "A única forma de conciliar isso seria fazendo a montagem no Rio", afirmou o diretor. No momento, no entanto, ele diz que está mais empenhado em tocar o projeto que desenvolve no Sesc Copacabana, que envolve a montagem de quatro espetáculos - entre eles, a estréia mundial de A Tempestade - e uma série de workshops. Quinta-feira (07), reestréia Ventriloquist, no Sesc Copacabana. O contrato de Thomas com o Sesc Rio, segundo a assessoria de Imprensa da instituição, representa uma nova orientação cultural para o espaço, que começou com a estréia de Boca de Ouro, de José Celso Martinez Corrêa; trouxe Prêt-à-Porter, de Antunes Filho; lotou o teatro com Vozes Dissonantes, de Denise Stoklos; e seguiu com A Fábrica, de João Falcão. Com Thomas, começou em agosto com N x W (Nietzsche contra Wagner), seguido de mais três espetáculos inéditos do diretor. Em outubro, ele encabeça um evento em torno de Samuel Beckett, com a estréia de Fizzles - Coisas Descartáveis, escrita a partir de uma compilação de textos com que o próprio Beckett teria presenteado o amigo Thomas nos anos 70. Segundo Thomas, o contrato com o Sesc é uma das coisas que mais procurava na carreira nos últimos tempos. Por causa desse projeto contínuo, ele protelou até uma montagem na Ópera de Viena. "Eu e a companhia estamos há 15 anos vagando, vagabundeando pelo mundo, e há muito tempo eu aguardo esse endereço fixo", afirmou o diretor. Seu entusiasmo diz respeito também ao fato de estar propondo um programa teatral alternativo no Rio de Janeiro. "Não é todo mundo que concorda com esse besteirol que está se fazendo aqui", afirmou. O Sesc, segundo Thomas, lhe deu plena liberdade para trabalhar. O diretor pode adaptar o teatro às necessidades de suas montagens - mandou, por exemplo, retirar as cadeiras da platéia e deixou o espaço "oco", para facilitar a adaptação aos conceitos cênicos diversos. Thomas chegou a ter várias reuniões com a empresária Ruth Escobar para engajar-se na direção de Os Lusíadas, versão do clássico de Luís de Camões. Mas o contrato com o Sesc tornou-se um empecilho - Ruth quer a montagem pronta para levá-la à cidade do Porto, capital cultural da Europa, no ano que vem. Gerald só poderia começar a ensaiar, se aceitasse a empreitada, em dezembro. "Espero definir o nome do diretor no máximo até o fim desta semana", disse Ruth Escobar. Ela afirma que o custo total da montagem deverá girar em torno de R$ 2 milhões - quase metade do dinheiro iria para a adaptação do grande saguão da Estação Júlio Prestes. Ruth acha "difícil" transferir a montagem para o Rio. A empresária abriu inscrições para o elenco na segunda-feira e, até metade do dia, já tinha recebido cerca de 300 candidatos a integrar a montagem. A empresária pretende fazer audições para selecionar atores, bailarinos e artistas performáticos ou circenses para o elenco de Os Lusíadas - que terá 81 profissionais em cena, entre atores (45), bailarinos (28) e performáticos (8). A previsão inicial de estréia é para o dia 15 de novembro, mas Ruth Escobar admite que pode mudar a data. O clássico Os Lusíadas é a obra-chave da língua portuguesa e foi escrito em 1572. O diretor e roteirista Djalma Limongi Batista levou três meses adaptando a obra. O arquiteto Ruy Otahke estréia no teatro fazendo o cenário dessa aventura. No elenco, há poucos nomes já definidos, entre eles os dos atores Duda Mamberti e Volney de Assis. As coreografias serão dirigidas por Suzana Yamauchi. A Petrobras financia boa parte da montagem, além do Ministério da Cultura, que entrou com R$ 300 mil. O grande saguão da Estação Júlio Prestes deverá ser isolado do movimento dos passageiros de trens por uma grande parede. Ruth Escobar tem intenção - e conta para isso com o apoio do secretário de Estado da Cultura, Marcos Mendonça - de transformar o espaço num lugar habitual de produções teatrais na cidade.

Agencia Estado,

05 de setembro de 2000 | 16h16

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