Geração videogame inspira Susanna Tamaro

O cineasta Federico Fellini, quemorreu em 1993, chegou a ler os textos da escritora SusannaTamaro, também italiana e hoje com 45 anos. Sua reação foi degrande impacto. "Susanna é um pequeno duende sorridente, umacriança fascinante e inocente que me brindou com a alegria decomover-me sem envergonhar-me", declarou o diretor de A DoceVida.Está saindo no Brasil mais um livro para crianças ejovens desta que é sobrinha do romancista Italo Svevo e autorade O Círculo Mágico e Tobias e o Anjo, além do maisconhecido, para adultos, Vai Aonde Te Leva o Coração, umbest seller comumente tachado de manual de auto-ajuda. Aliás,Susanna é considerada uma espécie de "Paulo Coelho de saias" naItália.O novo livro é Papirofobia - Leopoldo e a Montanha deLivros (Rocco Jovens Leitores, tradução de Y. A. Figueiredo).O mote da obra - que faz parte da coleção Grandes Autores paraPequenos Leitores, a mesma que já editou textos infantis deAlice Hoffman, Amy Tan, Ariel Dorfman, Ian McEwan e Sylvia Plath- é o seguinte: ler nos torna diferentes e nos faz maisfelizes.O personagem principal, Leopoldo, de 8 anos, passa mausbocados no início da trama, porque quer ganhar um par de tênisde corrida no aniversário, mas os pais lhe dão livros. Ele sentetonturas diante das páginas repletas de letrinhas e a mãe o levaao médico. O doutor diz que o menino sofre de "papirofobia" eaconselha a mãe a tirá-lo da frente dos videogames e obrigá-lo aler, a todo custo.O tema é de uma atualidade incrível. Pais, professores,escritores, jornalistas, pedagogos - todos gastam horas e horasdiscutindo a crise da literatura e a tal da geração que não lê,a geração videogame. Em Papirofobia, Susanna Tamaro enredaseus leitores em uma fábula agradável e trata do assunto sempretensões pedagógicas, sem teorias maçantes.A transição do garoto que não lê para o amante voraz doslivros se dá de forma tocante, por meio de um personagem cego evelho, sentado num banco de praça. A solução final para oconflito do menino encerra em si uma declaração de amor aosclássicos universais da literatura juvenil, como As Viagens deGulliver, de Jonathan Swift, e Ulisses, de James Joyce.Sem pose de professora chata, Susanna quer sugerirtruques para a reconciliação dos jovens com a leitura. E é amesma saída apontada por Daniel Pennac, em Como um Romance:"Não pedir nada em troca e garantir à criança os direitos desaltar páginas, não acabar um livro, ler não importa o quê nemimporta onde, saltar de livro em livro e não falar do queleu."Papirofobia - Leopoldo e a Montanha de Livros, deSusanna Tamaro. Rocco, 40 págs., R$ 18.

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