Gepp e Maia desvendam SP em livro

Os ilustradores Haroldo George Gepp e José Roberto Maia de Olivas Ferreira - ou Gepp e Maia - nasceram no Rio de Janeiro mas conhecem São Paulo mais do que muitos paulistanos da gema. Não à toa: são 27 anos desenhando esta cidade caótica. Uma parte do trabalho desenvolvido neste tempo todo foi reunida no livro Um Pouco de São Paulo, a ser lançado sábado, na Pinacoteca do Estado, com apresentação de chorinho e a presença de um ator vestido de Santos Dumont, que na publicação é o cicerone de duas crianças em um tour pela capital.Os desenhos da dupla, além de representar a cidade (mais especificamente o centro), destacam personagens - que aparecem em tamanho ampliado - com muito bom humor. Velhinhos jogando dominó, punks, baianas com tabuleiros de búzios, estudantes da faculdade de direito do São Francisco, um grupo de chorinho e até Giovanni Bruno com um prato de massa na bandeja, ainda na época em que era garçom do Gigetto. Em várias cenas encontram-se até os autores bebendo um chopinho em algum canto da cidade."Os detalhes são a grande sacada. Principalmente em uma cidade como São Paulo, onde há todos os tipos e todas as tribos", explica Maia. Além dos anônimos, os cartunistas mostram personalidades da capital - tanto do presente quanto do passado -, como Adoniran Barbosa e Mário de Andrade.O passeio, ou melhor, o vôo guiado por Santos Dumont a bordo do lendário 14 Bis, passa por 16 lugares, entre eles o Pátio do Colégio, o Anhangabaú, a Estação Júlio Prestes e a Pinacoteca, além das principais praças da capital. Complementando as ilustrações, eles contam a história de cada lugar e mostram as mudanças arquitetônicas. "A idéia é fazer com que as pessoas conheçam a história da cidade de uma forma descontraída", diz Maia. Para a pesquisa do livro, os cartunistas tiveram ajuda de pesquisadores e historiadores do Departamento do Patrimônio Histórico da Prefeitura de São Paulo.Gepp e Maia começaram a retratar a cidade na época em que trabalhavam no Jornal da Tarde, onde ficaram de 1975 a 1985. O primeiro mapeamento foi em 1983, para uma matéria especial sobre a avenida Faria Lima. Mas o destaque dos personagens surgiu dois anos depois, para a comemoração dos 20 anos do jornal com uma exposição no Museu de Artes de São Paulo (Masp). "Fizemos uma grande maquete do mapa-múndi e cada país foi representado com caricaturas de seus políticos mais conhecidos".De lá para cá, estimam ter feito mapas de todas as principais cidades do Brasil. "Só estão faltando os de Belo Horizonte, Manaus, Porto Alegre e Florianópolis", diz Maia. "São mais de 40 mapas"."O legal desse trabalho é poder derrubar os estereótipos das cidades. Por isso nos esforçamos tanto para destacar os personagens e equilibrar a arquitetura com a parte humana e folclórica que cada cidade tem", pondera a dupla, que depois de tantos anos juntos já tem os traços semelhantes.Para descobrir as peculiaridades de cada lugar eles andam muito a pé - registrando seus passos em fotos - e conversam com moradores e historiadores. O trabalho mais interessante para eles foi o mapa da cidade de Cubatão. "Quando nos pediram, pensamos ter nas mãos pela primeira vez uma missão impossível", conta Maia. Mas para sua surpresa, por trás da passarela com cheiro de enxofre, que fica no caminho do paulistano para o litoral, existe uma cidade bem organizada e com muito verde. "Foi mais fácil que Los Angeles", diz, lembrando de quando conseguiram desenhar uma L.A. diferente da cidade violenta para a revista Quatro Rodas nas Olimpíadas de 1982.

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