Gente que faz o Municipal do Rio

Imagens captadas por Adriana Lins e Henrique Pontual narram o que se passa nos palcos e nas coxias

Roberta Pennafort/RIO, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2010 | 00h00

Ana Botafogo e o corpo de baile em cena em Giselle. A intimidade por trás da festa do centenário, na Cinelândia, em que o foyer foi usado como coxia. Cantores em ação em La Bohème. Um pas-de-deux de Coppélia.

Durante dois anos, os fotógrafos Adriana Lins e Henrique Pontual acompanharam os momentos de glória que ilustram a página e outros instantes prosaicos do dia a dia do Teatro Municipal do Rio. De mais de 20 mil fotos, selecionaram 400 para a comovente Movimentos, publicação que está sendo lançada neste mês de fim de temporada.

No palco e nos bastidores, o desafio da dupla foi ficar invisível com suas Nikons, para não emperrar as engrenagens centenárias - por vezes, literalmente invisíveis, durante os espetáculos, escondidos sob uma espécie de iglu emborrachado, com isolamento acústico (para que o clique-clique não incomodasse ninguém) e um buraco para a passagem da lente.

O destaque não é para os lustres, as pinturas e os douramentos recuperados com a grande reforma pela qual o prédio passou de outubro de 2008 a abril deste ano. As lentes se voltaram para os corpos artísticos - balé, coro e orquestra -, ou seja, para o que mantém o teatro no nível de excelência para o qual ele foi fundado, em 1909.

Além das fotos clássicas de detalhes de pés e tutus de bailarinas (Ana Botafogo, Cecilia Kerche, Márcia Jaqueline, Marcela Paiva e outras), dos movimentos vigorosos de regentes (Roberto Minczuk, Silvio Viegas) e da interpretação de cantores líricos, Adriana, carioca, e Henrique, pernambucano, ambos de 44 anos e amigos há 30, registraram no livrão o suor das salas de ensaio, a arara de figurinos, a costura de sapatilhas. O avesso do palco, com suas escadas, cordas, filas de entrada e sessões de maquiagem. Os trabalhadores anônimos foram homenageados em fotos pequenas. O projeto de "fotografia a quatro olhos", que deverá virar exposição, tem três anos e foi encampado pela diretora do teatro, Carla Camurati.

Os textos, da experiente bailarina e professora Eliana Caminada, vêm em português, inglês e francês. A princípio, o lançamento seria por ocasião do centenário, em julho de 2009. O atraso das obras levou seus autores a adiar também a conclusão do livro, e assim eles tiveram mais tempo para caprichar.

Outro livro de fotografias, também com 400 imagens, foi dedicado ao teatro, mas desta vez às suas instalações majestosas: Theatro Municipal do Rio de Janeiro 100 Anos (G. Ermakoff Casa Editorial), ensaio fotográfico de Cristiano Mascaro, conta a história da construção e traz imagens de espetáculos memoráveis.

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