GENTE PARA FICAR DE OLHO

A banda de rock, o guitarrista de jazz, a DJ, os cantores de MPB, a garota do rap. Eles valem o ingresso

, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2010 | 00h00

A BANDA DE JOSEPH TOURTON

Grupo de rock instrumental

Formada no Recife por garotos em torno dos 20 anos, A Banda de Joseph Tourton tem esse nome porque era nessa rua da capital pernambucana que eles ensaiavam. Precoces, Diogo Guedes (guitarra e efeitos), Gabriel Izidoro (guitarra, escaleta e flauta transversal), Rafael Gadelha (baixo) e Pedro Bandeira (bateria) vêm de outras bandas. No mês passado, impressionaram o público paulistano pela performance segura e pela consistência de sua mistura sonora, baseada em rock, mas com elementos de outros estilos e uma tendência a improvisar sem perder o ritmo. "Construímos nosso som fazendo jam sessions e gravações sem nenhuma pretensão. Como nunca sentimos necessidade de ter vocal, a gente foi vendo que ficou bom ser um grupo de música instrumental", diz Gabriel. Suas influências vêm desde o heavy metal dos anos 1970 até as bandas pernambucanas, como Nação Zumbi e Eddie. Agora, o quarteto está em fase de finalização de seu primeiro álbum. Pode apostar que vem coisa boa por aí. / LAURO LISBOA GARCIA

LURDEZ DA LUZ

Cantora de hip hop

Não era nada fácil imaginar que a garota paulistana do punk rock que seguia pelo entorno da Estação da Luz ouvindo Bad Brains, Mercenárias e Stooges aos 15 anos seria, dali a algum tempo, um nome que os rappers ouviriam com respeito. Lurdez da Luz fez sua indignação com as coisas que sempre lhe pareceram fora de lugar migrar de estilo, do punk ao rap, para se tornar a voz feminina do grupo Mamelo Sound System, com o qual já lançou três discos. Lurdez, que também participa do coletivo 3 Na Massa, chega agora a seu primeiro solo, finalizado há dois meses, com faixas produzidas por Scott Hardy, mixadas em Nova York. Sua marca: Lurdez não se apresenta como um rapper de saias e não faz de suas músicas depósitos de clichês antissistema. No recém-lançado álbum do projeto Maquinado, elogiado trabalho do guitarrista da Nação Zumbi, Lúcio Maia, é de Lurdez o vocal da melhor faixa, Tropeços Tropicais. Sua estreia de fato será dia 10 de abril, com um show apoiado por banda (baixo, DJ e bateria) no Centro Cultural São Paulo. Para ela, um momento decisivo na carreira. / JÚLIO MARIA

LARA GERIN

DJ

Lara vive o exato momento em que sente pisar em uma linha divisória que deixa de um lado o mundo da moda e, de outro, o da música. "Vou ficar com a música." A campineira de 38 anos foi uma menina que estudou ópera na infância e curtiu o hardcore punk do Suicidal Tendencies na adolescência antes de se lançar estilista. Em junho de 2009 foi chamada para dar "pinta de DJ" em uma festa no bar Secreto, em São Paulo. Ganhou a massa e algumas noites fixas na casa. A cantora Bebel Gilberto ouviu falar de Lara e a levou como integrante de sua banda por uma grande turnê pelos EUA (Nova York, Boston, Chicago, Denver, San Diego, São Francisco). Até a Rede Globo já usa sua imagem. Uma cena da novela Passione, a próxima das 21 horas, terá Lara discotecando como fundo para o beijo dos personagens de Rodrigo Lombardi e Carolina Dieckmann. Agora, Lara Gerin faz aulas para conhecer mais sobre equipamentos de som com Eduardo Aran, já que a alma do negócio ela já tem. "A pista funciona mais quando o DJ está feliz."/ JÚLIO MARIA

LEO CAVALCANTI

Cantor e compositor pop

Nomes insuspeitos como Adriana Calcanhotto, Fernanda Takai e Chico César já levantaram a bandeira: a música de Leo Cavalcanti não se parece com nada do que está por aí. É vigorosa, desafiadora, transbordante, transgressora. Difícil aplicar algum rótulo ao que ele faz - com ímpeto que se via no desbunde dos anos 70 - colocando assinatura própria na mistura de pop com experimentalismo. Filho do compositor Péricles Cavalcanti, Leo prepara com todo esmero seu primeiro álbum. "Quero que fique pronto até maio." A fase de finalização está dando muito trabalho. "Sou bem exigente, e autoexigente", diz. Em 2009, o público da Semana da Canção Brasileira, em São Luiz do Paraitinga, teve uma breve, mas impressionante, mostra do carisma e da força de Leo em cena, quando venceu o festival cantando Ouvidos ao Mistério e Acaso. Além de tudo, é um grande performer, dono de bela voz e de profunda sinceridade quando canta seus versos tão expressivos quanto a garra com que toca o violão. Não por acaso, deem ouvidos a esse mistério. / L.L.G.

RHAISSA BITTAR

Cantora e compositora

São coincidências e comparações inevitáveis. Baby Consuelo tinha 20 anos, em 1972, quando revelou o lendário Acabou Chorare com os Novos Baianos, mesma idade de Rhaissa Bittar. Lançando Voilá, seu primeiro disco, a cantora tem um timbre que lembra o de Baby - a da década de 1970, não a decadente Baby de Jesus de hoje. Rhaissa não teme comparações porque tem estilo próprio e muita personalidade, sem emular ninguém. "Existem influências, mas nunca pensei em imitar alguém de propósito. Tem muita cantora que quer seguir a linha de outras e acaba virando cópia." Ciente de que há pontos a serem lapidados, ela impressiona com voz que combina mansidão e presença. Ao contrário de muitas enlatadas do mercado, Rhaissa sabe simplesmente cantar. Não precisa de floreios. Além disso, seu belo disco contou com Nailor Azevedo, o Proveta, Ricardo Herz, Lula Alencar e Maurício Pereira. O álbum ainda tem duas composições de Rhaissa em mandarim, fruto de sua passagem de um ano por Taiwan. / LUCAS NOBILE

DIEGO FIGUEIREDO

Guitarrista de jazz

O experiente Diego Figueiredo tem 29 anos e um mundo de conquistas desde os 15, quando impressionou o mestre do violão Paulinho Nogueira (1929-2003) por seu estilo sutil e pela criatividade. Mas já vinha dando vazão a seu grande talento um tempo antes. Nascido em Franca (SP), ele ficou em segundo lugar no Prêmio Visa de Música Brasileira em 2001. Não tardou a arrancar lágrimas e influentes elogios de feras da guitarra, como George Benson e Pat Metheny. No extenso currículo do rapaz, há outros prêmios em Montreux e uma lista de nomes que acompanhou em shows e gravações. Belchior, com quem excursionou em várias temporadas, foi um dos que mais lhe abriram espaço para tocar seus solos. Circulando com desenvoltura pelos palcos do Hemisfério Norte, Diego gravou 12 álbuns em menos de 10 anos. Um dos mais recentes, Vivência, saiu há pouco aqui, expondo seu lado mais jazzístico. Agora, ele pretende estar mais próximo dos conterrâneos. "Este ano quero intensificar meu trabalho no Brasil." / L.L.G.

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