Gaúcho foi à Itália estudar com o mestre

Na década de 1940, quando o pintor gaúcho Iberê Camargo (1914-1994) ganhou prêmio para estudar na Europa, ele procurou Giorgio De Chirico, para ter com o mestre algumas aulas de pintura. "Sua preocupação era buscar questões técnicas", afirma a crítica de arte e historiadora Mônica Zielinsky, responsável, na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, pela catalogação da obra completa do artista gaúcho. "Isso aconteceu também com (o artista André) Lothe em Paris e com o gravador Petrucci, na Itália", continua Mônica.

O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2011 | 03h09

A primeira parada de Iberê em sua viagem à Europa foi Roma, em 1948. No ateliê de De Chirico, o brasileiro estava interessado em aprender sobre a preparação de tintas e os aspectos cromáticos. "Eles não tiveram uma relação muito próxima depois, foi uma experiência pontual", conta Mônica, contabilizando que Iberê passou cerca de um ano acompanhando De Chirico. "Já com Petrucci, por exemplo, ele manteve correspondência durante toda a vida", diz a historiadora.

Por uma perspectiva atual, o diálogo entre Iberê e De Chirico se deu pela técnica e por uma certa "visão ética", afirma Mônica. "Ambos trabalharam a ideia de solidão e isolamento, mas a pintura de Iberê caminhou para outro lado, para o expressionismo". A historiadora vê, na verdade, uma relação temática entre os dois apenas em uma série de 1947, feita pelo gaúcho em hospícios do Rio de Janeiro, antes de partir para a Europa. / C.M.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.