Gatos compõem literatura infantil de Heloísa Prieto

O ato de narrar é uma arte quepoucos dominam. Heloísa Prieto é uma artista da palavra queconsegue cativar o leitor do início ao fim da leitura. Com umestilo próprio, que faz a ponte entre a linguagem oral e aescrita, o leitor mergulha nas emoções e aventuras de cadahistória, em especial A Guerra dos Gatos contra a Bruxa daRua (Ática, 64 págs., R$ 20). A obra conta a paixão dagarotinha Sofia pelos felinos, mais do que amor, é uma lição derespeito. "Uma criança que convive com bichos é bastantediferente daquela que só brinca no computador, Internet outelevisão. Cuidar de um animal exige responsabilidade, não dápara simplesmente desligá-lo e ir dormir", observa Heloísa. A Guerra dos Gatos faz parte da coleção MelhoresAmigos, um projeto que nasceu com o objetivo de mostrar àscrianças a importância da convivência com animais no cotidianodas cidades. "A série toda foi baseada em experiências reais,existem pequenas aventuras, as histórias são ficcionalizadas,mas o foco principal está no mistério que permeia a relação deuma criança e seu animal de estimação. No carinho profundo, nacomunicação sem palavras, na importância fundamental dessevínculo na vida de uma pessoa", explica Heloísa. No livro, Sofia descobre o fascínio pelos gatos porintermédio de duas vizinhas muito diferentes: d. Eulália, que osodeia, e d. Carole, que os ama. A personagem que cuida dosbichinhos machucados é uma alusão à atriz francesa BrigitteBardot, mas a inspiração veio da vida particular da autora."Neste livro minha intenção básica foi contar uma históriasobre as diferenças. Há uma personagem misteriosa, uma mulherestrangeira, que cria gatos e leva uma vida anticonvencional.Ela foi criada a partir de d. Julia Nemeth, a senhora que me deude presente minha primeira gata de estimação", conta. O clímax da história é atingido quando d. Eulália recebeuma dura lição: vê sua casa tomada por horripilantes ratos enecessita da ajuda dos gatos para salvar-se. Em todas as páginas as ilustrações de Suppa dão o clima, reforçam as idéias daautora e por meio das cores atraem a atenção do leitor. "Nolivro infanto-juvenil o artista que ilustra o texto tem umaimportância fundamental. É emocionante ver o trabalho decomposição das imagens formando um texto paralelo ao meu." Mas não é só com a A Guerra dos Gatos contra a Bruxada Rua que o leitor se deliciará. Heloísa começou 2002 repletade planos. Estão no forno e devem chegar às prateleiras daslivrarias, em março, quatro projetos novos. 1001 Fantasmas éum livro de suspense que homenageia Edgar Allan Poe, que saipela Cia. das Letras; pela mesma editora será lançada umaantologia, ainda sem título, que reunirá Milton Hatoun, AnaMaria Miranda, Tony Belotto, Moacyr Scliar entre outrosautores. Heloísa também expandiu suas atividades ao assumir oposto de coordenadora editorial de uma coleção de livro decrônicas pela Dimensão. "Os volumes possuem ensaiosfotográficos de Henk Neiman e aguardo ansiosa os três primeirostítulos da série Vida à Vista: Acontecências, de TatianaBelinky; De Olho na Rua, de Paulo Bloise e SP/Brasil, deFernando Bonassi. A série Mano Descobre... feita em parceriacom o jornalista Gilberto Dimenstein, ganha o sexto volume. "Osleitores comentam o tema da cidadania e apreciam o fato defalarmos francamente sobre amores virtuais, junk food, fanáticospor videogame, enfim, o mundo jovem contemporâneo." Inspirado nessa série, estréia no dia 15 de março a peçajuvenil Mano, no Teatro Popular do Sesi, que conta com CaioBlat e Bárbara Paz no elenco e Naum Alves de Souza na direção. Oenredo fala de um menino sensível e tímido, que vê seu queridoirmão mais velho envolvido com uma turma da pesada. Em uma açãoconjunta surge o projeto Mano a Mano. Terminado o espetáculo jovens serão convidados a produzir ladrilhos que serãoinstalados em calçadas e praças de São Paulo. Essa experiênciade arte e ação comunitária é uma parceria com a Cidade EscolaAprendiz, que produz murais de azulejos na cidade. Nascida em uma família de contadores dehistórias, Heloísa cresceu ouvindo "causos" sobre Lampião eseu bando, sobre a gripe espanhola, mistérios e magias. Daí araiz de seu trabalho. "Narrar é uma forma de pensar o mundo ou,como dizia a minha avó, para aprender a ler o mundo é precisoler os livros", comenta. Professora da Escola da Vila, contaque aprendeu a ler as emoções dos gestos e a falar da vida pormeio de histórias. "Comecei a escrever informalmente a pedido dos alunos.Na escola havia rodas de leituras; geralmente eu inventavahistórias muito malucas que as crianças queriam ouvir de novo.Foi naquele momento que percebi o quanto queria criarenredos."

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