García Márquez solta parte de suas memórias

A revista colombiana Cambio e o jornal espanhol El País publicaram esta semana o primeiro capítulo do primeiro volume das memórias do escritor Gabriel García Márquez, um dos únicos latino-americanos ganhadores do prêmio Nobel de Literatura.Em suas memórias, García Márquez descreve o romance que uniu seus pais e que resultou em seu nascimento, a 6 de março de 1927, no povoado de Aracataca, na Colômbia. A pequena cidade mais tarde inspiraria o cenário do romance Cem Anos de Solidão, uma das obras primas do realismo fantástico, movimento literário da qual é um dos expoentes.O escritor se baseou, para escrever suas memórias, no preceito de que "a vida de alguém não é o que se passou mas sim o que ele recorda e como o recorda", frase com que inaugura a obra.Entre outros fatos que conta "Gabo", como é conhecido, está a origem de seu nome. O autor conta que poderia ter sido chamado de Gabriel José de la Concordia, mas um esquecimento involuntário de seus familiares na hora de escrever seu nome deixou-o apenas como Gabriel José.A primeira parte das memórias deverá se chamar Vivir para Contarlo. Na segunda parte das memórias o escritor pretende contar sua trajetória de 1955 até 1967, quando publicou Cem Anos de Solidão. A terceira e última parte deve girar em torno dos relacionamentos que o autor de Crônica de uma Morte Anunciada tem com personalidades e presidentes de vários países.Devido a um acordo com seus agentes literários, o primeiro capítulo das memória de Gabo não foram disponibilizados na páginas da Internet da revista Cambio e tampouco nas do jornal El País. García Márquez, com 73 años, concluiu o primeiro volume das memórias enquanto soube que estava com câncer. Segundo revelou recentemente, enquanto era submetido a tratamentos específicos da doença, entrou em pânico de não ver acabadas suas memórias e por isso reduziu ao máximo suas relações com o mundo para dedicar-se a escrever. Gabo assegurou que está recuperado da doença.

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