García Márquez, emissário secreto entre Cuba e EUA

O escritor colombiano e Prêmio Nobel de Literatura, Gabriel García Márquez, atuou em 1997 como emissário secreto entre os presidentes cubano, Fidel Castro, e americano, Bill Clinton, reeditando sua participação, três anos antes, em uma negociação migratória entre Cuba e Estados Unidos. Em um relatório desarquivado por Fidel em Havana na noite de sexta-feira, o Nobel de Literatura colombiano narra os "sobressaltos e incertezas" que enfrentou durante sua missão secreta nos Estados Unidos. García Márquez devia entregar a Clinton, um reconhecido admirador de sua obra literária, uma mensagem em que o presidente cubano lhe propunha, entre outros seis temas, colaborar em atividades contra o terrorismo. A proposta cubana foi aceita pelo chefe de Estado americano. "Tenho uma necessidade imprescindível de falar sobre o tema (...), não afeta em nada o destinatário (Clinton) e muito menos, sua glória literária", disse Fidel na sexta-feira passada, tornando público o relatório do amigo escritor, conhecido como Gabo. Segundo o texto, Cuba teria descoberto no fim dos anos 90 a existência de um "sinistro plano terrorista" de elementos anti-Fidel residentes em Miami e solicitou a García Márquez que exercesse o papel de emissário secreto diante de Clinton para denunciá-lo. "Naquela noite tomei consciência de que minha (programada) viagem a Washington tinha sofrido uma reviravolta imprevista e importante", destacou o relatório do escritor colombiano, que admitiu que "nem pudor, nem a modéstia" lhe permitiram esquecer de sua missão secreta em Washington. "Não levava anotações pessoais, mas conhecida a mensagem de cor", afirmou García Márquez, que já tinha alguma experiência neste tipo de gestão. Durante a crise migratória dos ´balseiros´, em 1994, e a pedido do então presidente do México, Carlos Salinas de Gortari, o escritor colombiano exerceu o papel de emissário de Fidel Castro em uma complicada, mas bem sucedida negociação proposta por Clinton, que pôs um fim à crise.

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