''Garantia é uma palavra forte''

Em conversa com o Estado, o ministro da Cultura Juca Ferreira rebate críticas ao apoio à companhia e diz que investimento faz parte de grupo maior de ações.

, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2010 | 00h00

Por que o ministério resolveu apoiar a Cia. Brasileira de Ópera?

O maestro John Neschling nos procurou com um projeto que não se limitava à montagem de uma ópera apenas mas tratava da criação de uma companhia que gerasse uma estrutura nova de trabalho, capacitando quadros e viajando com o gênero pelo País. Fiquei fascinado com essa possibilidade. A música de concerto e óperas são áreas que caminham de modo mais lento dentro do ministério. Em 2004, eu fiz uma prospecção com artistas para levantar maneiras de ajudar, fizemos reuniões para dissecar esse universo. E vimos que podemos passar a ajudar em áreas como a promoção de eventos, formação de plateias, recuperação de partituras. Nosso trabalho não para na companhia. Vamos abrir outras oportunidades, já estamos conversando com outros maestros e instituições.

O maestro Neschling falou da necessidade do apoio estatal para a sobrevivência da companhia. Como o ministério pode garantir para os próximos anos o apoio?

Garantia é uma palavra forte. Mas a perspectiva é de um trabalho permanente. É o que temos em mente. Estamos em momento de ascensão orçamentária.

Houve críticas sobre a ligação do ministério a um único projeto privado em vez da criação de uma política mais ampla de apoio ao setor.

As mesmas pessoas que fizeram críticas como essa são aquelas que nos acusam de querer estatizar a cultura. 99% das iniciativas culturais são feitas em parceria entre o Estado e a iniciativa privada, por meio da Lei Rouanet. Se questionam agora é por conta do envolvimento do maestro John Neschling, que tem presença pessoal forte, que esbarra em dimensões políticas. São poucas as iniciativas que o ministério considera ser o Estado o responsável por realizar. A maior parte delas é privada, com contrapartidas sociais como o amadurecimento de uma arte, a ampliação da sensibilidade, a consolidação da economia da cultura. A companhia atende estes três pontos. Por isso, não entendo essa crítica.

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