Galpão faz segunda montagem de texto de Chekhov

Ao comemorar 30 anos, o grupo mineiro Galpão deixou o universo festivo, expansivo, quase farsesco onde sempre se movimentou com tanta desenvoltura, para encontrar a inquietante obra de Anton Chekhov. Com estreia paulistana marcada para quinta-feira, "Eclipse" é uma junção de contos do escritor. À frente da encenação está o diretor russo Jurij Alschitz, um dos maiores especialistas no teatro do dramaturgo.

AE, Agência Estado

25 de setembro de 2012 | 10h10

"O Galpão me procurou em busca de um novo jeito de atuar. Foi uma briga entre dois teatros muito diferentes", conta Alschitz. "Queria fazer algo para o qual o aparato físico deles não estivesse preparado para suportar. Deixá-los nus, inseguros."

Também na contramão da imagem que se costuma associar à ficção de Chekhov, o estudioso russo, que vive na Alemanha, recusou o psicologismo e buscou observar o autor pelo prisma do construtivismo. O resultado está distante do realismo e flerta com certa dose de absurdo. "Acompanhamos figuras sem história, sem passado", diz o ator Chico Pelúcio. Em uma série de monólogos, os intérpretes vasculham questões como felicidade, fé, a função do talento e o lugar do artista.

O desejo de se reinventar e caminhar por um território ainda inexplorado moveu o grupo a aproximar-se do encenador. A maior parte do processo de criação deu-se a distância. Além da leitura de mais de 150 contos e a criação de cenas a partir de vários desses textos, o trabalho incluiu duas etapas: uma aqui e outra na Alemanha. Depois de passar um tempo fora do País, o grupo trouxe Jurij Alschitz ao Brasil. "Tirei todos os seus apoios. Quando eles queriam cantar, tocar instrumentos, eu simplesmente dizia: ''Não. Apenas sente-se e diga o seu monólogo''", relata o encenador.

Em 2011, o Galpão já havia montado uma peça do mesmo escritor. Mas, naquele caso, a intenção era outra. Na recente montagem de "Tio Vânia", a diretora Yara de Novaes aproximou a trupe dos dramas de dimensão psicológica. Dessa maneira, a trajetória de Vânia - homem de meia-idade que passa a questionar a validade de suas escolhas - tornou-se pretexto para que o Galpão também fizesse um balanço do passado. "A peça fala da relação dos homens com o tempo, esse momento de rever o que fizeram", diz Yara. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

ECLIPSE

Sesc Vila Mariana (Rua Pelotas, 141). Tel. (011) 5080-3000. 5ª a sáb., às 21 h; dom., às 18 h. R$ 24. Até 14/10.

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